Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

UE teme desestabilização no Iraque devido ao referendo curdo

UE teme desestabilização no Iraque devido ao referendo curdo
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

Seguindo a linha da maioria da comunidade internacional, incluindo a do Conselho de Segurança da ONU, a União Europeia está contra o referendo sobre a independência da região autónoma do Curdistão no Iraque, marcado unilateralmente para 25 de setembro.

Ebubekir Isik é um académico curdo que ensina numa universidade de Bruxelas e que considera que não há razões para recear a secessão, pelo contrário.

“Podemos vir a ter, nos próximos 4 a 5 anos, um Estado curdo independente que é, comparativamente, mais democrático, mais secular e mais confiável ao nível das alianças dos EUA e da Europa na região”, disse, à euronews, Ebubekir Isik.


A União Europeia teme que o referendo aumente a instabilidade no Iraque, tendo a delegação da União Europeia nesse país emitido uma declaração, em julho, que alerta para a necessidade de “evitar qualquer ação que crie ou exacerbe as divisões”.

Mas as expetativas dos curdos iraquianos devem-se ao apoio que têm dado ao Ocidente na luta contra os extremistas islâmicos do Daesh.

“Os curdos consideram que a coligação liderada pelos Estados Unidos, e na qual estão quase todos os países da União Europeia, tem uma dívida para com eles. Não acredito que esperem que tal se traduza em apoio explícito à independência, mas antes no apoio diplomático para encontrar uma solução”, explicou, à euronews, o analista político Marc Pierini, do Carnegie Europe.

Kexit? Iraqi Kurdistan referendum explained https://t.co/UZZKEWqEBL— BBC News (World) (@BBCWorld) September 22, 2017

Não menos relevante é a questão do petróleo, sendo que a União Europeia recebe muitos dos 600 mil barris diários produzidos naquela que é a sexta maior reserva mundial.

“Temos enormes reservas de petróleo na região onde vivem os curdos. A cidade de Kirkuk é um dos melhores exemplos disso. Essa é uma das razões pelas quais o governo central iraquiano e o governo autónomo curdo não conseguiram chegar a acordo sobre os territórios disputados. É um dos principais desafios para qualquer tipo de diálogo entre as autoridades de Erbil e de Bagdade”, realçou Ebubekir Isik.

A situação geopolítica e económica é ainda mais complexa porque outros países da região têm importantes comunidades curdas, tais como a Turquia e o Irão, e vêm o referendo da região iraquiana como uma ameaça à estabilidade dos seus próprios países.

O Curdistão beneficia de uma autonomia desde 1991, que se tem alargado ao longo dos anos.

O Presidente curdo, Massoud Barzani, cujo mandato expirou em 2015, tem insistido que a independência é a única escolha deixada aos curdos na ausência de um parceiro em Bagdade.