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Nikol Pachinian quis derrubar o governo e conseguiu

Nikol Pachinian quis derrubar o governo e conseguiu
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REUTERS/Vahram Baghdasaryan
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Nikol Pachinian, atual Primeiro-ministro da Arménia, foi o grande vencedor das eleições parlamentares antecipadas que aconteceram este domingo.

O partido "A minha Aliança", liderado por Pachinian, foi o escolhido por 70,44% dos votantes.

Pachinian, jornalista e revolucionário, chegou ao poder em maio deste ano, depois de ser a cara de várias manifestações contra o governo anterior, que acabaram por provocar eleições antecipadas para formar um novo parlamento.

O Partido Republicano, do ex-primeiro-minsitro Serge Sargsián, conseguiu 4,70% dos votos, aquém dos 5% necessários para ter pelo menos uma cadeira no parlamento.

Já os outros partidos de oposição conseguiram garantir assentos no novo governo. O "Arménia Próspera" obteve 8,27% e o "Arménia Luminosa" consegiu 6,37% dos votos.

"Já atingimos o objetivo"

Nikol Pashinian, o jornalista revolucionário

Ficou mundialmente conhecido quando, em abril passado, liderou protestos anti-governamentais maciços na Arménia. Assumiu o poder do país em maio e, no primeiro dia de novembro, convocou eleições parlamentares antecipadas.

O partido que liderava tinha 9 assentos no parlamento, contra 50 do Partido Republicano, o partido opositor, liderado por Serge Sargsyan.

Mesmo depois de forçar a renúncia do Sargsian, duas vezes primeiro-ministro e presidente da Arménia de 2008 a 2018, Pashinian, aos 43 anos, continuou a luta contra o poder, sempre com o mote de terminar com "o sistema corrupto" do país.

Ao longo da sua carreira política, Pashinian nunca hesitou em criticar abertamente o governo.

Pashinian trabalhou como jornalista em vários meios de comunicação arménios durante a década de 90. Criou o jornal Haykakan Zhamanak (O Tempo da Arménia), o qual acabou por se tornar um dos jornais mais populares do país.

Reuters
Nikol PashinianReuters

O trabalho que desempenhou como jornalista ajudou-o a gerar contacto próximo com os políticos e a adquirir um profundo conhecimento dos processos políticos e tendências sociais no país, o que acabou por lhe dar vantagem na luta contra o sistema.

Passado Político de Pashinian

Nas eleições presidenciais de 2008, Pashinian apoiou a candidatura do primeiro presidente arménio, Levon Ter-Petrosyan, que perdeu a eleição para o então primeiro-ministro Sargsian.

As acusações de manipulação do resultado das eleições levaram a protestos massivos, liderados, também, por Nikol Pashinián. Esta foi a primeira vez que Pashinián se tornou amplamente conhecido.

No entanto, as mobilizações de 2008 não tiveram sucesso: foram reprimidas pelas forças policiais, cuja intervenção resultou na morte de 10 pessoas.

Em relação a esses eventos, Pashinián foi declarado culpado de "busca e captura".

Em 2009, o oponente rendeu-se à justiça e, no ano seguinte, foi condenado a sete anos de prisão. No entanto, em 2010, Pashinián foi libertado pelo vigésimo aniversário da independência da Arménia.

Desde 2012 que é membro do parlamento arménio, onde se tornou parte de diferentes formações de oposição.

Em 2017, Pashinián criou e liderou a formação da oposição "Yelk" (Salida), que até agora era representada por nove deputados na Assembleia Nacional.

Reuters
Nikol Pashinian e Vladimir PutinReuters

Como deputado, continuou a criticar a política do governo, culpando-a pela deterioração da situação económica no país.

Em abril deste ano, Pashinian novamente desafiou o Governo a declarar uma "revolução de veludo" na Arménia, após a eleição de Sargsyan como primeiro-ministro depois dos seus dois mandatos de cinco anos como chefe de Estado.

Os membros do movimento de oposição "A minha Aliança" criada por Pashinian, começou o protesto singular contra o governo no final de março com uma caminhada a partir da segunda maior cidade, Guiumri, em direção à capital Yerevan, onde participaram dezenas de milhares de pessoas.

Em menos de um mês, Pashinian tornou-se para muitos um "herói nacional" e símbolo do renascimento arménio.

"Eu falo em nome do povo arménio", disse Pashinian, que votou no domingo por uma Arménia "livre, forte e feliz".