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Bruxelas trava fusão entre a Siemens e a Alstom

Comissão Europeia trava fusão Siemens-Alstom em defesa da ferrovia
Comissão Europeia trava fusão Siemens-Alstom em defesa da ferrovia -
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REUTERS/Stephane Mahe/Francois Lenoir/Arquivo
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A fusão entre a alemã Siemens e a francesa Alstom foi proibida pela Comissão Europeia devido à alegada perda de concorrência nos mercados europeus da sinalização e lata velocidade na ferrovia.

Em comunicado, a comissária para a concorrência, Margrethe Vestager admite impactos negativos da fusão proposta, nomeadamente no aumento dos preços, com reflexo no preço final ao consumidor.

"Milhões de passageiros por toda a Europa dependem diariamente de comboios modernos e seguros. A Siemens e a Alstom são ambas campeãs no setor ferroviário. Sem as suficientes garantias, esta fusão viria a resultar em preços mais altos para os sistemas de sinalização que permitem manter os passageiros em segurança e para a nova geração de comboios de alta velocidade", afirmou Vestager.

Em conclusão, a dinamarquesa explicou que "a Comissão proibiu a fusão porque ambas as companhias não se mostravam disponíveis a resolver as graves preocupações sobre a concorrência" existentes em Bruxelas.

Vestager considerou ainda que "a fusão viria a gerar, de longe, o maior agente da Europa e em alguns mercados não haveria sequer concorrência".

"Para ser clara, não há problema em ser-se grande. Não é essa a questão, aqui. O que concluímos é que a força de outros fornecedores seria insuficiente para colmatar essa perda considerável de concorrência provocada pela fusão", acrescentou.

Os governos francês e alemão estavam a torcer pela fusão. A rejeição resultou em desilusão e num compromisso de ambos os executivos virem a trabalhar numa proposta de alteração das regras europeias da concorrência.

O ministro francês da Economia e Finanças disse mesmo que esta proibição da Comissão Europeia para a fusão entre a Siemens e a Alstom "é um erro económico."

"Os critérios enumerados pela Comissão Europeia não foram os corretos. A Comissão diz-nos que o mercado europeu não está aberto ao gigante chinês. Para mim, é exatamente o contrário. Julgo que em pouco tempo vamos ver a gigante chinesa CRRC a chegar à Europa", afirmou Bruno Le Maire, numa entrevista concedida à televisão France 2.

A chinesa CRRC é tida como a maior companhia do mundo no setor da produção de material ferroviário e, após ganhar contratos na República Checa, onde estará também a tentar adquirir a Skoda's Transportation AS, a entrada na União Europeia poderá passar também por Portugal.

Numa parceria com a Thales Portugal, a estatal sediada em Pequim concorre exatamente com a Alstom e a Siemens (numa parceria com a Stadler) num concurso de fornecimento da Metro de Lisboa.

Avaliado em 127 milhões de euros, o concurso foi lançado em 2018 e tem em vista a aquisição pela empresa portuguesa de 14 novas unidades triplas, com entrega prevista em 2025 e incluí também um novo sistema de sinalização a ser implementado no projeto de expansão do Metro de Lisboa, que, em 2023, deverá ter pelo menos mais duas novas estações, Santos e Estrela.

A empresa canadiana Bombardier, que (em parceria com a espanhola CAF) completa o lote de candidatos no concurso da Metro de Lisboa, já se manifestou "feliz" com a decisão europeia de proibir a fusão entre a Siemens e a Alstom, cuja perspetiva seria a criação de um novo gigante mundial do setor, com presença em cerca de 60 países e um volume de negócios de quase 16 mil milhões de euros.