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O legado comunitário de Jacques Chirac

O legado comunitário de Jacques Chirac
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REUTERS/Charles Platiau/File Photo
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Beber um copo de cerveja, nas ruas de Aachen (França, numa cidade que tinha sido alemã), em 2004, não foi apenas um gesto de diplomacia informal de Jaques Chirac, que recebia o homólogo alemão Gerhardt Schroder.

O então Presidente francês tinha um relacionamento especial com o chanceler Schroder, fortalecendo em muito o chamado eixo franco-alemão.

A amizade foi fundamental para esse eixo adotar uma posição contra o unilateralismo dos EUA por altura da invasão do Iraque, em 2003, que levaria à queda do ditador Saddam Hussein.

"O mundo, e a Europa em particular, compreenderam que Chirac tinha valores profundos, um conhecimento vasto sobre o que se passava no mundo e a evolução das nações no longo prazo. Tornou-se um grande estadista europeu naquele momento", disse, à euronews, o eurodeputado liberal francês Bernard Guetta.

Mas a dupla não conseguiu criar a tal frente europeia unida contra a posição dos EUA, que tinham o apoio dos líderes britânico, espanhol e português, bem como de países do leste europeu que estavam prestes a aderir à União Europeia.

Contudo, a posição de Chirac foi seminal para criar uma política externa comunitária, destacada pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker: "Não posso deixar de homenagear um homem que foi amigo da Europa, da África e da Ásia, o falecido Jacques Chirac".

De eurocético nos anos 70, Jacques Chirac passou a defensor do ideal comunitário a partir de 2000, apara afirmar um maior peso da Europa no panorama mundial.

Mas o Tratado Constitucional, que defendeu, nunca viu a luz do dia, rejeitado em referendos na França e na Holanda. Começaram, então, as divisões políticas entre norte e sul, oeste e leste, que agora são tão agudas na União.

Ou nas palavras de Chirac: "A Europa foi uma aventura maravilhosa e nada óbvia".