EventsEventos
Loader

Find Us

FlipboardLinkedin
Apple storeGoogle Play store
PUBLICIDADE

Fundos europeus lançam mulheres empreendedoras além fronteiras

Fundos europeus lançam mulheres empreendedoras além fronteiras
Direitos de autor 
De  Lusa
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

O Intrepida é um projeto luso espanhol que apoia mulheres empreendedoras do Alentejo, do Algarve e de Andaluzia

PUBLICIDADE

O ambiente é animado, sem deixar de ser marcadamente empresarial. As atenções dirigem-se para a apresentação sobre os erros mais comuns no embalamento, no encontro do INTREPIDA, projeto europeu que apoia mulheres empreendedoras do Alentejo, Algarve e Andaluzia.

Loulé, no distrito de Faro, foi a cidade escolhida para a 3.ª edição do Fórum INTREPIDA, que durante dois dias da semana passada juntou 60 empresárias -- das 500 envolvidas no projeto -, criando mais uma oportunidade para reforçarem o contacto e o intercâmbio de ideias e de experiências, fomentarem estratégias de colaboração e trabalharem a possibilidade de expansão dos seus negócios.

Se na sala do núcleo de Loulé do Instituto de Emprego e Formação Profissional a atenção está centrada nas conferências - embalamento, marketing por telemóvel ou vendas 'on-line' -, os intervalos e momentos de lazer tornam-se oportunidades para que as participantes se possam conhecer.

Muitas das participantes já se tinham cruzado nos encontros anteriores, mas também nas várias atividades desenvolvidas nas três regiões ibéricas desde o início do projeto, em 2017.

Até já há "projetos em conjunto e atividades desenvolvidas paralelas ao projeto" INTREPIDA, revela à Lusa Paula Paulino, diretora executiva do Núcleo Empresarial da Região de Évora, um dos parceiros portugueses.

Lusa

Habituada a fazer ligação entre empresas, Paula Paulino confessa que "estes projetos pecam por já estarem atrasados, ao nível do tempo", já que nas parcerias transfronteiriças se começou pelas infraestruturas e "só agora se está a dar valor à redes informais", instrumentos importantes para criar "partilha e confiança", essenciais para "se conseguir fazer negócio".

O papel da mulher no mundo dos negócios tem vindo a mudar, com um cada vez maior números de empresas a surgirem por iniciativa feminina, num contexto onde conciliar vida profissional e familiar "continua a ser um desafio", sublinha Catalina Bejarano, da Fundación Tres Culturas Del Mediterráneo, gestora do projeto, com sede em Sevilha.

Muitas mulheres, continua, resolveram criar a sua empresa para "poderem resolver as suas questões de emprego". Afinal, não é fácil "conseguir um trabalho, principalmente se já se tem uma certa idade e filhos para criar". Esta opção permite-lhes, por isso, criar "a independência económica e o tempo de que precisam para compatibilizar a família e o emprego."

No entanto, a grande maioria são micro ou pequenas empresas, o que não ajuda a criar dimensão de negócio para uma expansão além de um pequeno território - daí a Tres Culturas ter criado o INTREPIDA, ao qual foram atribuídos 400 mil euros, num financiamento de 75% pelo programa Interreg V-A Espanha-Portugal (POCTEP 2014-2020), através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, da União Europeia, para juntar e ajudar empresárias a internacionalizarem os seus negócios.

Catalina Bejarano destaca que, com este projeto, "se criam condições e se dão as ferramentas", mas "são as próprias mulheres a fazer o resto do trabalho para desenvolver os seus negócios" e a dar "um pequeno impulso para estarem presentes noutros mercados".

A loja de um coletivo de artistas em Loulé, visitada pelas participantes do fórum, é um exemplo do sucesso da iniciativa.

Ainda as empresárias admiram a montra e já se comenta a beleza do local e se há a possibilidade de trazerem os seus produtos, do outro lado da fronteira, para os expor na zona histórica de Loulé. Lá dentro, há desde taças a roupa, colares, brincos e malas para apreciar.

A ideia para a loja do Colectivo 28 surgiu de Sílvia Rodrigues, participante no INTREPIDA desde o início, após ter sido convidada a mostrar a sua joalharia em papel na feira de moda Flamenca, em Sevilha.

"A ida a Espanha foi uma experiência enriquecedora. Pude criar uma nova coleção para uma indústria de moda, que eu não tinha a noção de que era tão grande, e o retorno dos espanhóis foi muito bom. Permitiu-me alcançar outro público que de outra forma não era possível", conta,

Já tinha experimentado parcerias e a partilha do espaço de trabalho, na iniciativa Loulé Criativo, que juntava diferentes artistas locais, e achou que ideia poderia ser reproduzida, mas num contexto apenas de comercialização.

Lusa
Silvia RodriguesLusa

O convite foi feito a mais três artistas -- duas mulheres e um homem -- e hoje dividem o tempo entre a criação, cada um no seu ateliê, e a loja, numa rotatividade mensal, devidamente organizada e negociada entre todos.

O "belo exemplo" do sucesso de Sílvia além-fronteiras surpreendeu até a responsável pela parceria do Intrépida no Algarve. Para Joana Martins, do Regiotic - Ninho de Empresas de Loulé, as mais-valias do projetos têm sido "os bons exemplos e a interajuda" dentro da lógica do lema "juntas somos mais".

Orgulhosa dos resultados, destaca a importância do projeto em particular no apoio dado às empresárias na fase inicial, já que "ainda têm medo de arriscar" e neste contexto acabam por se sentir "mais apoiadas".

PUBLICIDADE

Esta rede, sublinha, permite-lhes contactar com outras empresárias que passaram pelo mesmo, com a possibilidade de trocar ideias e, juntas, poderem encontrar a solução.

Entre as empresas beneficiadas, há uma grande diversidade nas áreas de trabalho: arquitetura, gestão de condomínios, seguros, organização de eventos, artesanato, serviço social, estética, alojamentos turísticos, imobiliário, restauração, consultas de psicologia, ensino de línguas ou agências de viagens são alguns exemplos.

O INTREPIDA deveria terminar no final do ano, mas já foi aprovada uma prorrogação, para que seja possível terminar as atividades previstas.

A continuidade está garantida com o INTREPIDA+, financiando em 800 mil euros por fundos europeus, permitindo continuar o trabalho já realizado, mas dando um maior enfoque na internacionalização das empresas geridas por mulheres.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Eleições europeias: O que é que os eleitores querem e o que é que os candidatos prometem?

Espanha recusou autorização para escala a navio que transportava armas para Israel

Vitória socialista nas eleições catalãs põe fim ao domínio pró-independência