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As razões do progresso eleitoral do Vox

As razões do progresso eleitoral do Vox
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A euronews esteve em Madrid para perceber as razões da progressão eleitoral do partido de extrema-direita Vox, em Espanha.

A 10 de novembro de 2019, a extrema-direita tornou-se na terceira força política em Espanha, sob a liderança de Santiago Abascal, ao eleger 52 deputados nas legislativas. Nascido há apenas seis anos, o Vox obteve os primeiros bons resultados há um ano, ao eleger doze deputados para o parlamento da Andaluzia. Desta vez, o sucesso estende-se à capital espanhola. A euronews esteve na região de Madrid para conhecer as razões que levaram à progressão eleitoral do Vox. Na cidade de Parla, antigo bastião da esquerda, nos arredores da capital, um grande número de eleitores votou no novo partido que diz defender a unidade nacional e os valores tradicionais.

Imigração e sentimento de insegurança

Os habitantes de Parla queixam-se da ocupação ilegal das casas e do aumento da deliquência. Hipotecados pelos bancos durante a crise bancária, os apartamentos estão nas mãos de traficantes. "Aqui podemos ver a entrada da garagem. Não tem porta. Foi arrancada. A porta está aberta. Eles até vendem os apartamentos. Se a pessoa tiver dinheiro suficiente, abrem-te a porta, abrem-te a casa. E todos estes locais aqui foram ocupados", contou Miguel Aguilera, antigo sindicalista de extrema-esquerda que se tornou responsável do Vox em Parla. "A maior parte desta ocupação é feita por imigrantes ilegais, que vêm sem trabalho, sem documentos e que precisam de um sítio para viver. E acabam por cometer este tipo de delito. Nós não somos contra a imigração, somos contra a imigração ilegal e desregulada", acrescentou o responsável.

O Vox prometeu resolver o problema. Foi uma das razões pelas quais Kai, antigo eleitor do Partido Popular, decidiu mudar de partido. O prédio onde vive começou a ser ocupado. "É um prédio de luxo, mas já temos aqui um primeiro 'ocupa'. Paguei 300 mil euros pela minha casa. Vim viver para aqui porque era suposto ser uma das melhores zonas de Parla. Automaticamente, o apartamento perde valor", lamentou Kai Oliver Pohlschneider, residente em Parla.

Em Parla, começámos a votar no Vox porque queremos soluções.
Kai Oliver Pohlschneider
Residente em Parla, arredores de Madrid

Kai e Eva deixaram Madrid em busca de melhor qualidade de vida, em Parla, para criar os dois filhos. Um projeto ameaçado por um sentimento crescente de insegurança. "As pessoas têm medo de sair à rua a partir das dez da noite porque isto tornou-se o Bronx. Só se vê delinquência, tráfico de drogas e máfias organizadas. Por isso, em Parla, começámos a votar no Vox porque queremos soluções. Precisamos, um pouco mais, de ter mão pesada", considerou Kai Oliver Pohlschneider. "Eu nunca tinha votado até agora. Estava desencantada com as ideias dos restantes partidos e sobretudo porque eles não faziam aquilo que prometiam, a maior parte das coisas", disse à euronews Eva Maria Saura Fernández.

Vox conquista antigos eleitores conservadores

Em Madrid, o Vox seduziu em média 20% dos eleitores. Um resultado influenciado pelo crescimento nacionalismo espanhol, face à subida do independentismo na Catalunha. A euronews esteve no bairro de Salamanca, uma das zonas mais caras de Madrid onde também há apoiantes do Vox, para falar com Blanca Carillo de Albornoz. A empresária de origem aristocrática está desiludida com o Partido Popular e aposta no Vox para defender o nacionalismo e abolir as autonomias regionais. Está também de acordo com o Vox ao rejeitar a nova lei que protege as mulheres da violência conjugal. "Aqui o sentimento nacionalista não existe. As pessoas têm vergonha da bandeira, é algo que não entendo. Espanha tem que ser uma só nação. Um problema enorme em Espanha é o sistema das autonomias, é preciso modificá-lo. Não podemos ter dezassete parlamentos e dezassete televisões. O problema fundamental é o seguinte: vão arruinar-nos", afirmou a empresária madrilena.

A apoiante do Vox aplaude a vontade do partido em modificar a lei que protege as mulheres da violência conjugal. "Outro problema que me preocupa também é a ideologia do género. O Vox quer a igualdade entre o homem e a mulher. O que não quer é que, ao cometerem o mesmo delito, um homem e uma mulher tenham penas diferentes. E incomoda-me que, por votarmos no Vox, as pessoas dizerem que somos de extrema-direita. Somos um partido democrático. É claro que eu sou contra o aborto, são valores que ninguém defende. Se isso é ser de extrema-direita, eu digo: somos de extrema-direita porque somos o partido mais à direita", disse à euronews Blanca Carillo de Albornoz.

O peso do eleitorado jovem

O Vox também agrada aos eleitores mais jovens. O voto da juventude foi determinante para os bons resultados nas últimas legislativas. "Descobri o Vox nas redes sociais. Penso que as redes sociais são uma ferramenta muito importante para fazer passar a nossa mensagem a todos diretamente da fonte até aos leitores , sem ter de passar por outras pessoas que podem interpretar mal a nossa mensagem", considerou Jaime Fernández, militante do Vox responsável pela mobilização dos jovens nas redes sociais.

O que eu quero, agora que o Vox chegou à política, e que veio para ficar, é que se invista nos espanhóis, se invista no que é realmente preciso.
Alejandro Gozalo
estudante e militante do Vox

A euronews esteve num bar que serve de ponto de encontro para os jovens militantes do Vox. Nação, família e unidade são alguns dos valores defendidos pelo grupo. "Creio que representamos a liberdade real. Gostaria de ter uma Espanha de liberdade, igualdade e unidade. São os três pontos que gostaria de ver e, acima de tudo, prosperidade", frisou Álvaro Pérez. "O que eu quero, agora que o Vox chegou à política, e que veio para ficar, é que se invista nos espanhóis, se invista no que é realmente preciso", disse o estudante Alejandro Gozalo.

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