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Novas fugas de informação revelam que Szijjártó informou Lavrov da Rússia sobre uma cimeira importante da UE

Nesta fotografia divulgada pelo Serviço de Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, à esquerda, aperta a mão ao ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio
Nesta fotografia divulgada pelo Serviço de Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, à esquerda, aperta a mão ao ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sandor Zsiros
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As chamadas telefónicas divulgadas mostram o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro a informar Lavrov, da Rússia, durante uma cimeira importante da UE, oferecendo documentos confidenciais da UE a Moscovo e organizando um encontro entre Orbán e Vladimir Putin.

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, telefonou ao seu homólogo russo, Sergey Lavrov, em 2023, para o informar sobre um debate entre os líderes da UE sobre a abertura de negociações de adesão com a Ucrânia numa cimeira importante em Bruxelas, de acordo com uma das transcrições de gravações divulgadas por vários meios de comunicação húngaros de investigação.

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A transcrição, proveniente de uma chamada gravada numa cimeira da UE em 14 de dezembro de 2023, revela que Szijjártó saiu da reunião para telefonar a Lavrov e informá-lo sobre o estado das negociações. O texto inclui também a afirmação de Lavrov: "Por vezes, a chantagem direta e bem-intencionada é a melhor opção."

As transcrições e gravações de áudio - obtidas pelos meios de comunicação social VSquare, Frontstory, Delfi Estonia, The Insider e pelo Centro de Investigação de Ján Kuciak - surgem dias antes das eleições gerais húngaras de domingo.

Os 16 anos de governação do primeiro-ministro Viktor Orbán enfrentam o desafio mais forte de sempre do líder da oposição Péter Magyar, cujo Partido Tisza lidera atualmente as sondagens.

Esta disputa também colocou os laços estreitos da Hungria com a Rússia no centro da campanha, alimentando as tensões no seio da União Europeia.

O Washington Post noticiou anteriormente que Szijjártó tinha telefonado a funcionários russos durante os intervalos das reuniões do Conselho dos Negócios Estrangeiros em Bruxelas. Mais tarde, o ministro afirmou que esses contactos eram uma prática diplomática de rotina, realizada antes e depois das sessões do Conselho.

Após o telefonema entre Szijjártó e Lavrov, Orbán retirou o seu veto e saiu para uma pausa para café, permitindo que os outros 26 líderes da UE chegassem a acordo sobre a abertura de negociações de adesão com a Ucrânia. Szijjártó permaneceu na sala, acompanhando as negociações mesmo depois de Orbán ter saído.

As novas fugas de informação incluem também outra transcrição, datada de 2 de julho de 2024 - durante a presidência rotativa do Conselho da UE pela Hungria - que mostra Szijjártó a telefonar novamente a Lavrov para marcar uma reunião entre Orbán e o Presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo.

Na altura, Orbán encontrava-se numa missão de paz, tendo-se já encontrado com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Foi fortemente criticado em Bruxelas por estar a utilizar a presidência da UE para promover uma política externa unilateral.

Durante o telefonema, Szijjártó também pareceu sublinhar o peso diplomático da visita de Orbán. "Não podemos dividir as duas coisas, mas penso que o facto de ele ser o Presidente da União Europeia aumenta a sua importância", afirmou, de acordo com a transcrição.

Além disso, as gravações divulgadas revelam uma passagem em que Szijjártó se ofereceu para partilhar um documento da UE relacionado com as negociações de adesão da Ucrânia.

Depois de Lavrov ter pedido o texto exato de um compromisso sobre os direitos linguísticos das minorias nacionais da Ucrânia — confirmado por Szijjártó como decisivo —, o ministro ofereceu-se para o enviar diretamente.

"Eu envio-lho. Não há problema nenhum", disse Szijjártó a Lavrov. "Eu faço-o imediatamente. Envio-o para a minha embaixada em Moscovo, e o meu embaixador transmite-o ao seu chefe de gabinete e, depois, fica à sua disposição."

Szijjártó reagiu às revelações nas redes sociais, classificando a divulgação das gravações como "uma intervenção dos serviços secretos invulgarmente grosseira e aberta".

Szijjártó acrescentou que os telefonemas mostram que a Hungria defende a paz, defende os húngaros na Ucrânia, luta por petróleo e gás russos a preços acessíveis e considera certas acções de Bruxelas "muito perigosas e uma tragédia completa".

O líder da oposição, Péter Magyar, já tinha caracterizado a alegada conduta de Szijjártó como traição. "Trata-se de uma traição aberta aos interesses húngaros e europeus", afirmou Magyar em março.

A Comissão Europeia também manifestou a sua preocupação em março, pedindo à Hungria que clarificasse as alegações, que descreveu como profundamente preocupantes.

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