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Joalharia do marido de Isabel dos Santos fecha portas

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March 5, 2015
March 5, 2015   -   Direitos de autor  AP Photo/Paulo Duarte   -   Paulo Duarte
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A "De Grisogono", parcialmente detida pelo marido de Isabel dos Santos, declarou insolvência. Os meios de comunicação suíços dizem que esta joalharia deve mais de um milhão de euros aos seus fornecedores e que não foi possível encontrar um comprador. Sessenta e cinco pessoas perdem o seu emprego.

A situação era já delicada - principalmente depois da Sodiam, a empresa estatal angolana de comercialização de diamantes, ter terminado, em finais de 2017, a parceria que tinha com a marca - mas a divulgação dos chamados "Luanda Leaks" precipitou o seu fim.

Foi um consórcio internacional de jornalistas que divulgou documentos que mostram que foi utilizado dinheiro público angolano nesta empresa suíça, com sede em Genebra.

O Procurador-Geral de Angola esclarecia, na sua passagem por Lisboa, que José Eduardo dos Santos utilizou 180 milhões de euros, do erário público, para comprar a joalharia que ofereceu ao casal. Na altura a "De Grisogono" estava em falência técnica, devido às dívidas que tinha a dois bancos suíços, e que o antigo presidente terá comprado. Este é aliás, um dos processos em investigação em Luanda.

_A origem do Luanda Leaks_

A fonte dos mais de 700 mil documentos que detalham os esquemas financeiros, usados pela empresária e pelo marido, para colocar dinheiro público angolano em paraísos fiscais, e que levou à denúncia é Rui Pinto. Uma informação já confirmada pelos seus advogados e pela Plataforma de Proteção de Denunciantes na África. O organismo diz agora que recebeu do "hacker" português, responsável pelo Football Leaks, os dados recentemente divulgados.

Rui Pinto, detido preventivamente em Portugal, responde por 90 crimes, entre eles o de violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão. Em comunicado, os seus advogados esclarecem que o objetivo do jovem foi "ajudar a entender operações complexas conduzidas com a cumplicidade de bancos e juristas que não só empobrecem o povo e o Estado de Angola, mas podem ter prejudicado seriamente os interesses de Portugal".

Para a ex-eurodeputada socialista Ana Gomes, que tem apoiado Rui Pinto desde a primeira hora, neste caso devia aplicar-se a 4.ª diretiva contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo:

"Rui Pinto quer através do Football Leaks, quer através do Luanda Leaks reportou crimes de branqueamento de capitais e o tipo de criminalidade subjacente, crimes ficais e outros. E reportou-os, numa primeira fase até, pela via das denúncias anónimas, que a PGR (Procuradoria-geral da República) tem, e viu que nada era feito, e depois recorreu ao trabalho com os jornalistas para pôr cá fora os "leaks", explicou Ana Gomes à margem da comemoração do aniversário do Observatório das Crianças português.

_A acusação deduzida contra Isabel dos Santos_

Isabel dos Santos foi uma das pessoas constituídas arguidas, a empresária por má gestão e desvio de fundos da petrolífera estatal angolana Sonangol. Isabel dos Santos diz-se vítima de perseguição política.

Estão também acusados o seu marido, Sindika Dolo; uma administradora da portuguesa NOS, Paula Oliveira, que seria a única acionista de uma empresa sediada no Dubai e para onde terão sido desviados 90 milhões de euros; Mário Leite Silva, que foi até 22 de janeiro presidente do conselho de administração do Banco de Fomento Angola, e era um dos gestores dos negócios de Isabel dos Santos; Sarju Raikundalia, que foi administrador financeiro da Sonangol e Nuno Ribeiro da Cunha, encontrado morto na garagem da sua casa em Lisboa. O diretor do "private banking" do Eurobic e responsável pela conta da empresária suicidou-se.