As empresas de IA poderão submeter voluntariamente os seus modelos a verificação pela administração de Donald Trump um mês antes do lançamento, segundo a ordem.
Empresas de inteligência artificial (IA) podem agora submeter os seus modelos a avaliação antes da publicação, ao abrigo de uma nova ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A ordem executiva, assinada na noite de terça-feira, cria um quadro que permite ao governo federal avaliar riscos para a segurança nacional dos sistemas de IA mais avançados até um mês antes de serem tornados públicos.
A participação dos desenvolvedores de IA será voluntária, indica o documento.
«Capacidades avançadas de IA tornam o nosso país mais forte, mas introduzem também novas questões de segurança nacional que exigem uma ação coordenada entre departamentos e agências do poder executivo», lê-se na ordem.
A ordem fixa um prazo de 30 dias para que várias agências norte-americanas reforcem as defesas cibernéticas da administração, alargando o acesso à IA.
O texto prevê ainda a criação de uma «clearinghouse de cibersegurança», que «coordena e evita sobreposições na análise de vulnerabilidades de software», segundo o mesmo documento.
Trump tinha recusado assinar uma ordem executiva sobre IA em maio, por recear comprometer a vantagem do país em matéria de inovação face à China, considerada o principal concorrente dos EUA no desenvolvimento de IA.
No entanto, responsáveis norte-americanos mudaram de posição sobre as avaliações de IA pouco depois de a Anthropic lançar o seu novo modelo de cibersegurança, Mythos. Elementos-chave da administração Trump emitiram avisos a CEOs sobre o novo modelo de cibersegurança Mythos, depois de ter sido revelado que será alegadamente capaz de encontrar vulnerabilidades no software utilizado em todo o mundo.
Até agora, o Mythos foi disponibilizado apenas a um pequeno grupo de parceiros, mas a empresa anunciou na terça-feira que concedia acesso a mais 150 organizações (fonte em inglês), entre as quais poderá estar a Comissão Europeia, segundo a comunicação social norte-americana.
A Anthropic classificou a nova ordem de Trump como «um passo importante para reforçar a liderança americana em IA», segundo a Associated Press, e afirmou esperar cooperar com a Casa Branca para apoiar a sua implementação.
O seu principal rival, a OpenAI, criadora do ChatGPT, também descreveu a política como um passo importante, tal como a Google.
«À medida que as capacidades da IA continuam a avançar, consideramos que devem continuar a ser desenvolvidos, através de instituições democráticas, enquadramentos de segurança eficazes, informados pela perícia técnica e por uma ampla participação de diferentes partes interessadas, de forma a promover a responsabilização e a confiança do público», lê-se num comunicado de Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI.