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Grécia ainda combate incêndios e Espanha regista novos focos

Um bombeiro atravessa uma floresta queimada perto de Blagon, durante os incêndios florestais no sudoeste de França, sexta-feira, 31 de julho de 2026.
Um bombeiro atravessa uma floresta carbonizada perto de Blagon, durante os incêndios florestais, no sudoeste de França, sexta-feira, 31 de julho de 2026. Direitos de autor  The Associated Press. All rights reserved
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De Gael Camba
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Depois de semanas a combater incêndios florestais, França conseguiu travar a progressão das chamas. Em Espanha, a situação melhora, mas os focos continuam a avançar, enquanto a Grécia luta com vários incêndios e ventos fortes.

França conseguiu conter os incêndios florestais na região de Bordéus e no sudeste, enquanto a Grécia luta para travar os múltiplos incêndios na área metropolitana de Atenas e na ilha de Cefalónia.

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Há vários dias, ventos fortes têm vindo a espalhar os incêndios pelo país, aumentando de forma significativa o balanço de destruição.

Na província espanhola de Zamora e na região oriental de Castellón, alguns focos voltaram a reacender‑se, mas a maioria dos incêndios está controlada ou já foi extinta.

Grécia: ventos alimentam incêndios florestais

O primeiro‑ministro Kyriakos Mitsotakis afirmou que a Grécia enfrentou “condições meteorológicas extremas e ventos” que muitas vezes atingiam 100 quilómetros por hora.

Segundo o vice-ministro da Crise Climática e da Proteção Civil grego, Evangelos Tournas, rajadas de vento muito fortes criaram “condições extremamente difíceis, que em muitos casos impedem os meios aéreos de recolher água ou de efetuar descargas devido a turbulência extrema”.

Chamas consomem uma floresta durante um incêndio florestal perto de Porto Germeno, a noroeste de Atenas, Grécia, sábado, 1 de agosto de 2026.
Chamas consomem uma floresta durante um incêndio florestal perto de Porto Germeno, a noroeste de Atenas, Grécia, sábado, 1 de agosto de 2026. The Associated Press. All rights reserved.

Por mais uma noite, equipas de bombeiros no terreno combateram as chamas em zonas próximas de Atenas (Ática, Beócia e Fócida) em condições particularmente adversas, com ventos fortes a soprar, enquanto pouco antes da meia‑noite surgiu um novo foco na ilha jónica de Cefalónia.

Embora os ventos tenham abrandado no final de sábado, a área metropolitana de Atenas, a vizinha Beócia e a ilha de Eubeia estavam domingo sob um risco de incêndio quase máximo, segundo o ministério da Proteção Civil.

Os bombeiros tentavam impedir que o fogo se aproximasse dos arredores ocidentais de Atenas depois de ter subido a encosta de uma serra durante a noite.

Porto Germeno e outras aldeias foram evacuadas quando o incêndio deflagrou na sexta‑feira, mas as autoridades locais indicam que dezenas de habitações ficaram danificadas ou foram destruídas.

No início da semana, incêndios nas ilhas de Creta e Paros atingiram mais 6 000 hectares.

Nuvens de fumo erguem‑se de um incêndio florestal que se aproxima de Krio Pigadi, perto de Porto Germeno, a noroeste de Atenas, Grécia, sábado, 1 de agosto de 2026.
Nuvens de fumo erguem‑se de um incêndio florestal que se aproxima de Krio Pigadi, perto de Porto Germeno, a noroeste de Atenas, Grécia, sábado, 1 de agosto de 2026. The Associated Press. All rights reserved.

Os bombeiros têm enfrentado dezenas de incêndios por dia e, no sábado, Evangelos Tournas afirmou que o corpo de bombeiros tem sido “levado ao limite”.

Três bombeiros morreram esta semana em serviço, dois em Creta e um no Peloponeso.

Theodore Giannaros, meteorologista especializado em incêndios florestais e investigador sénior do Observatório Nacional, estimou que os incêndios em redor de Porto Germeno parecem ter afetado uma área superior a 10 mil hectares, quase o dobro da estimativa inicial.

“Infelizmente, é muito provável (se não quase certo) que este incêndio específico venha a ser classificado como um megaincêndio”, escreveu Giannaros no Facebook.

Até domingo, os incêndios florestais na Grécia tinham devastado mais de 12 mil hectares de área florestal e agrícola.

Atingida duramente pela crise climática, como o resto da região do Mediterrâneo, a Grécia é fustigada todos os verões por incêndios florestais, devido às temperaturas elevadas, às ondas de calor frequentes e à seca.

França: incêndios considerados “controlados”

Em França, 63 mil hectares de floresta e terrenos agrícolas arderam desde o início de julho. O maior incêndio na região da Gironda, perto de Bordéus, está agora controlado, depois de ter devastado 42 mil hectares e destruído 240 habitações.

Segundo o primeiro‑ministro, Sébastien Lecornu, “voltámos a uma situação mais estável”, confirmando declarações anteriores do ministro do Interior, Laurent Nunez.

Das 220 mil pessoas que foram retiradas, 208 mil já puderam regressar a casa. Trata‑se do maior incêndio florestal no país desde 1949.

Bombeiros trabalham para extinguir um incêndio perto de Blagon, sudoeste de França, sexta‑feira, 31 de julho de 2026.
Bombeiros trabalham para extinguir um incêndio perto de Blagon, sudoeste de França, sexta‑feira, 31 de julho de 2026. The Associated Press. All rights reserved

O incêndio no departamento de Var, no sudeste de França, mantém‑se sob apertada vigilância. Segundo o perfeito regional, Simon Babre, os bombeiros conseguiram travar o avanço de um fogo de rápida progressão que deflagrou na sexta‑feira.

Os ventos fortes que alimentavam as chamas fizeram‑nas propagar‑se “mais depressa do que um cavalo a galope”, alertou, avisando que a situação continua “extremamente precária”.

“Mantemos a cautela, porque o combate continua”, acrescentou.

França combate há semanas incêndios florestais após uma série de ondas de calor mortais que secaram leitos de rios e vegetação, fenómenos meteorológicos extremos que os cientistas associam às alterações climáticas provocadas pelo homem.

Em todo o país, a polícia deteve 308 pessoas em ligação com os incêndios, das quais 33 permanecem sob custódia.

Espanha: incêndios reacendem‑se

Espanha continua a enfrentar vários incêndios florestais após o levantamento do estado de emergência nacional declarado na quinta‑feira.

Em Zamora, no nordeste de Espanha, o incêndio em Fermoselle (11 134 hectares ardidos) reacendeu‑se no sábado perto de Mámoles, mas foi controlado graças ao envio de sete helicópteros e três aviões, e os residentes já regressaram às suas casas.

Vista da área queimada por um incêndio florestal em Villa del Prado, província de Madrid, Espanha, quinta‑feira, 30 de julho de 2026.
Vista da área queimada por um incêndio florestal em Villa del Prado, província de Madrid, Espanha, quinta‑feira, 30 de julho de 2026. The Associated Press. All rights reserved

A situação agrava‑se em Leão, com um novo foco em San Tirso, além dos de Veguellina (onde três aldeias foram evacuadas) e Valdelaloba, este último a mostrar uma evolução favorável.

Em Cáceres, o incêndio de um camião na autoestrada A‑66 provocou um fogo florestal que levou ao desalojamento preventivo de 150 pessoas em Grimaldo e 650 em Casas de Millán.

No domingo, foi‑lhes permitido regressar, embora tenham sido obrigadas a permanecer em casa, depois de cerca de 1 500 hectares terem ardido.

Os grandes incêndios na região da Sierra Oeste de Madrid e de Ávila (que abrangem mais de 70 mil hectares) mantêm‑se sob controlo.

Por fim, na região oriental de Castellón, o incêndio em Vall d’Uixó foi estabilizado ao sétimo dia, com 9 568 hectares ardidos e todos os residentes retirados já realojados. A Guarda Civil suspeita que poderá ter sido provocado de forma deliberada, depois de detetar duas fontes de ignição distintas.

Entre 1 de janeiro e 2 de agosto de 2026, arderam 186 544 hectares de floresta em Espanha, segundo dados provisórios divulgados este domingo pelo Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico.

Em toda a União Europeia, os incêndios queimaram cerca de 485 mil hectares desde o início do ano, o equivalente a metade da superfície de Chipre.

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