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São Brás de Dubrovnik, o padroeiro das gargantas

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São Brás de Dubrovnik, o padroeiro das gargantas
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Dubrovnik reúne o que de melhor a Costa Dálmata tem para oferecer. Ruas empedradas, edifícios majestosos e muralhas épicas que, durante anos, protegeram a Pérola do Adriático. Uma cidade velada por muros e por São Brás.

"A lenda diz que, no século X , ele apareceu no sonho de um padre local para avisá-lo que os navios inimigos estavam a chegar para atacar Dubrovnik. O padre levou o aviso a sério e alertou o governo local, que preparou a defesa e a cidade foi salva graças a São Brás. Foi a partir daí que ele foi adotado como o nosso patrono", conta Marina Krističevič, guia tur´ística da cidade.

O santo é aliás parte do património visual da cidade. Uma espécie de imagem de marca protetora, porque, tal como conta Marina, “há perto de 30 estátuas do santo a marcar todos os edifícios públicos mais importantes, num gesto simbólico de proteção".

As festas de São Brás são as mais populares daquele enclave mediterrânico. Em Dubrovnik, o santo padroeiro da cidade é celebrado há mais de um milénio.

As comemorações remontam ao ano de 972. O santo era um símbolo de união entre as instituições e os cidadãos da República de Ragusa. Hoje, pessoas de todos os cantos da região de Dubrovnik rumam à cidade para homenageá-lo.

De acordo com a ministra croata da Cultura, Nina Obuljen Koržinek, as festividades foram inscritas na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO há uma década, o que, para a representante do governo, "prova o valor que tem para a cidade, para o país, mas também para a humanidade", fortalecendo "a identidade dos cidadãos de Dubrovnik".

O dia é vivido com emoção pelos ragusanos. Depois de uma missa solene, a procissão carrega as relíquias do santo padroeiro pela cidade velha, onde muitos dos habitantes locais se passeiam em trajes regionais.

São Brás de Dubrovnik e da garganta

A festa decorre em torno da igreja dedicada a São Brás, o santo padroeiro da cidade e dos doentes da garganta.

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A historiadora Katarina Komaič explica que a causa se deve a um dos milagres atribuídos ao santo. “Um dos milagres que ele realizou foi curar um menino que estava a sufocar com uma espinha de peixe. Ele fez um milagre com velas e o rapaz foi salvo”, conta.

Ainda hoje, a tradição dita que os padres das paróquias abençoem a garganta dos fiéis com as típicas velas cruzadas.

Poderio militar

O fim da festa chega com uma atuação dos chamados trombunjeri, a força militar que, durante décadas, permitu que a cidade-estado de Ragusa sobrevivesse às ameaças a leste e a oeste.

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Krešinir Macan, um dos atuais membros dos trombunjeri, revela que a performance "mostra a força do poder militar, porque naquela época era importante mostrar que se tinha armas e algumas das maiores armas da região no século XV estavam" em Dubrovnik.

´É ao som de salvas que as celebrações oficiais encerram. Mas, nas ruas, a festa continua.