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União Europeia revê Política Comercial

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A container ship is unloaded in the harbor of Rotterdam, Netherlands, Tuesday, Sept. 11, 2018
A container ship is unloaded in the harbor of Rotterdam, Netherlands, Tuesday, Sept. 11, 2018   -   Direitos de autor  Peter Dejong/Copyright 2018 The Associated Press. All rights reserved.
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A União Europeia precisa de rever a sua política comercial.

Há demasiados elementos a pressioná-la: a ascensão da China, o recuo dos Estados Unidos e, finalmente, a brutal irrupção da pandemia.

A necessidade existe, mas como remodelar o comércio?

Primeiro ponto: A Europa precisa de assegurar uma maior resiliência na cadeia de abastecimento e uma maior autonomia estratégica, como defende a eurodeputada Svenja Hahn.

"Assistimos durante a pandemia a uma ruptura da cadeia de abastecimento global e isso foi uma chamada de atenção para a forma como fazemos comércio. Precisamos de ultrapassar a nossa dependência de determinadas regiões e países"
Svenja Hahn
Eurodeputada, Grupo Renovar a Europa

Nos últimos anos, a União Europeia fez dos acordos de comércio livre um eixo central da sua política comercial. Foram alcançados acordos com o Canadá, Japão, e também com os países do Mercosul, na América Latina.

Mas a ratificação nos parlamentos nacionais tornou-se um pesadelo. O do Mercosul foi recentemente rejeitado pela Parlamento holandês, uma nação comercial tradicional.

Outro ponto que está a pressionar Bruxelas são os movimentos anti-comércio que estão a ganhar popularidade na Europa, como lembra a eurodeputada belga Saskia Bricmont.

"Muitos Estados estão hoje a mobilizar-se porque existe um fosso entre a necessidade de rever o paradigma comercial e um acordo como o do Mercosul, que está ainda na sua infância e não inclui capítulos vinculativos sobre desenvolvimento sustentável nem objectivos climáticos."
Saskia Bricmont
Eurodeputada, grupo dos Verdes

Terceiro ponto: o multilateralismo também está em crise. A nível comercial, vimos o Presidente Donald Trump bloquear o mecanismo de resolução de conflitos da Organização Mundial do Comércio.

Mas será que isso significa que a globalização está a chegar ao fim? Os peritos que consultámos não vêem as coisas assim.

"Estamos noutra fase da globalização. O que é verdade é que existe uma crise no sistema de governação global da globalização. Mas o processo de interdependência entre os países não vai parar. Pode ser desacelerado. Mas do que precisamos é de instituições que respondam realmente às mudanças que estão a ocorrer na sociedade internacional."
Anna Ayuso
Centro de Assuntos Internacionais de Barcelona (CIDOB)

A Comissão Europeia está ciente de todas estas mudanças. E foi por isso que esta terça-feira lançou um processo de consulta que incluirá os Estados-Membros, as empresas e a sociedade civil.

As conclusões vão ser conhecidas até final do ano, incluindo uma comunicação com a nova visão da União Europeia sobre o comércio.