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"Grande consenso para dizer que não devemos ceder"

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Presidente de França defende respeito pelos princípios e valores europeus
Presidente de França defende respeito pelos princípios e valores europeus   -   Direitos de autor  John Thys/ Pool Photo via AP
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Sem "fumo branco" no acordo para o Fundo de Recuperação económica pós-Covid, os líderes da União Europeia voltaram a reunir-se este domingo em Bruxelas para tentar desbloquear o impasse, mas o braço-de-ferro mantém-se, sobretudo com os quatro Estados-membros conhecidos como "frugais" e agora com o líder da Hungria a aponta o dedo ao chefe de Governo da Holanda.

À entrada para o terceiro dia deste Conselho Europeu Especial, a líder da Alemanha falava de "um dia certamente decisivo" para encontrar consenso entre os parceiros.

As várias questões em aberto - a dimensão do fundo, a forma como será gerido e também questões do Estado de Direito - foram já bem tratadas.

Se vamos ter uma solução, ainda não o posso dizer. Há muita boa vontade, mas há também muitas posições. Por isso, vou tentar contribuir, sabendo que pode não haver uma solução hoje.
Angela Merkel
Chanceler da Alemanha

Por seu lado, o Presidente de França, que partilhou com a homóloga germânica uma proposta de retoma económica para os "27", falava em "diversos temas ainda por fechar" à entrada para o terceiro dia de discussões em Bruxelas.

Para Emmanuel Macron, à cabeça dos temas ainda em aberto estava "o Estado de Direito". "É uma das principais condições deste orçamento e sobre o qual houve ontem um grande consenso para dizer que não devemos ceder porque está na base dos princípios e valores europeus", explicou o chefe de Estado gaulês.

A posição francesa tinha como alvos subentendidos a Polónia e a Hungria, onde os respetivos governos têm vindo a tomar decisões vistas em Bruxelas como limitadoras da democracia.

Curiosamente, antes de retomar a mesa com os parceiros europeus, o presidente húngaro, que tem vindo a liderar uma campanha de repressão dos meios de comunicação húngaros, de universidades e de movimentos civis, afirmou aos jornalistas que "há 100% de acordo no Estado de Direito" e defendeu inclusive que "se alguém não está pronto a aceitar o Estado de Direito, deve ser expulso da União Europeu".

"A luta pela liberdade e a luta pelo Estado de Direito são a mesma coisa na cabeça dos países da Europa central. Se alguém não está pronto a aceitar isto, deve deixar a comunidade", reforçou Órban.

O líder magiar apontou ainda o dedo ao chefe de Governo da Holanda, acusando-o de ser o responsável pelo impasse que arrastou este Conselho Europeu Especial para um terceiro dia sem acordo.

"Não sei qual é a razão pessoal para o primeiro-ministro holandês para me odiar, a mim ou à Hungria, mas ele está a atacar com força.Não gosto de jogos de culpa, mas o holandês é o verdadeiro responsável por esta grande confusão. O primeiro-ministro holandês é o combatente", disse Órban.

O Conselho Europeu prossegue em Bruxelas, a aguardar "fumo branco".