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"Governo libanês e associações fazem um esforço mas não basta"

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"Governo libanês e associações fazem um esforço mas não basta"
Direitos de autor  AFP
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Em Beirute, há uma palavra na mente de todas as pessoas no rescaldo da tragédia: Apocalipse. As duas explosões ocorreram no pior momento possível para o Líbano, confrontado com uma grave crise económica e com a pandemia de Covid-19. A cidade devastada tem de gerir vários milhares de feridos e centenas de milhares de desalojados.

Em entrevista à Euronews, Ismaïl Hassouneh, médico e secretário nacional da associação francesa sem fins lucrativos "Secours Populaire" deu conta da situação que se vive no terreno.

Ismaïl Hassouneh, secretário nacional da associação francesa sem fins lucrativos "Secours Populaire" - É a primeira vez na história do Líbano que se regista uma explosão em que houve 4 mil feridos. É um número enorme para o país. A primeira constatação é que os hospitais em Beirute ficaram sobrelotados. Começámos a tentar encontrar lugares em hospitais de diferentes regiões libanesas. Depois, a natureza da explosão provocou múltiplos ferimentos às pessoas que estavam próximas ou até 10 quilómetros de distância do incidente.

Guillaume Petit, Euronews - Acredita que o conjunto do sistema hospitalar libanês tenha capacidade de resposta face à situação de emergência?

Ismaïl Hassouneh - O sistema de saúde libanês não conseguiu dar resposta à crise da pandemia de Covid-19. Como é que podemos esperar o contrário depois de uma explosão desta magnitude? Já havia falta de camas e de possibilidades nos hospitais. Depois, houve uma crise económica e financeira que provocou uma importante desorganização nos hospitais. A juntar a isso temos agora a explosão e não havia lugares suficientes para receber todos os feridos.

Guillaume Petit, Euronews - Também há centenas de milhares de pessoas que estão sem casa. É preciso uma ajuda internacional para dar apoio a todas estas pessoas? O que se fez até agora é suficiente?

Ismaïl Hassouneh - Atualmente não é suficiente. O número de pessoas afetadas é aproximadamente 300 mil, o que é muito. Até ao momento, o governo libanês e as associações humanitárias fazem um esforço para auxiliar as pessoas, mas não basta.