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"Estado da União: Impasses na diplomacia da UE

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"Estado da União: Impasses na diplomacia da UE
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O fracasso para aprovar sanções contra o regime do presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, está em destaque no programa. Os chefes da diplomacia dos países da União Europeia não chegaram a consenso e decisão foi adiada para a cimeira com os chefes de Estado e de Governo, na semana que vem.

Na frente diplomática, a União debateu, também, o acordo nuclear com o Irão, que divide profundamente os aliados europeus e os Estados Unidos, depois do presidente Donald Trump o ter abandonado. A poucas semanas das eleições presidenciais nos EUA, Trump volta a jogar o trunfo do Irão para angariar apoio para o seu modelo diplomático.

Para analisar o tema em maior profundidade, Stefan Grobe entrevistou Sascha Lohmann, investigador no Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (IAAIS).

Stefan Grobe/euronews: Os EUA proclamaram estar contra o levantamento das sanções da ONU que visavam o Irão depois de assinado o acordo nuclear de 2015, e ameaçaram os membros da ONU que não cooperassem na reinstalação de sanções. Mas os países europeus que participaram no acordo reagiram com um grande bocejo. Têm, realisticamente, motivos agora para temer os EUA?

Sasha Lohmann/analista no IAAIS: Realisticamente, penso que poderiam temer uma aplicação estrita de sanções unilaterais dos EUA, mas imagino que, uma vez que os EUA estão a aplicar o seus próprio embargo de armas, que estará em vigor até 2023, teremos de ver ser as sanções recentemente impostas pelos EUA serão também aplicadas contra os europeus. A verdade é que as consequências seriam muito graves, podendo ser o último prego no caixão do acordo nuclear.

Stefan Grobe/euronews: Quando o governo de Donald Trump abandonou o acordo nuclear com o Irão, há dois anos, optou por uma política de pressão máxima que ainda não deu resultados. Foi um erro de cálculo de Trump?

Sasha Lohmann/analista no IAAIS: Essa política foi deliberada e visava sabotar, destruir, o acordo nuclear, mas até agora, devido à diplomacia europeia e à cooperação iraniana em grande medida, vimos que a política norte-americana fez ricochete e auto-infligiu danos à política externa dos EUA. Mas também poderá ser prejudicial para o Conselho de Segurança da ONU no seu papel muito importante de garantir uma ordem internacional baseada em regras. Portanto, a ferida auto-infligida na política externa dos EUA poderá ter impacto a nível global.

Stefan Grobe/euronews: O presidente iraniano usou o seu discurso na Assembleia Geral da ONU, esta semana, para enviar uma mensagem de resistência e de resiliência face aos Estados Unidos. Tal poderia contribuir para um confronto entre os dois países?

Sasha Lohmann/analista no IAAIS: Penso que os europeus e os iranianos, juntamente com os chineses e os russos, esperam que surja uma nova presidência norte-americana liderada por Jo Biden. Caso contrário, os dois lados estarão a caminho de um confronto. Se houver uma reeleição do presidente Trump, isso poderá causar uma escalada militar, e assistimos a muitos incidentes em 2019 e 2020, no Golfo Pérsico e em outros locais. Portanto, esta seria uma situação altamente volátil e perigosa.

Stefan Grobe/euronews: E se Trump perder as eleiçõe, o governo de Biden voltará a integrar o acordo nuclear?

Sasha Lohmann/analista no IAAIS: Biden disse que voltaria a integrar o acordo na condição de que os iranianos também o cumprissem. É um duplo desafio de conformidade que está em causa. Este tipo de abordagem em duas etapas será crítico: depende de quando é que as sanções dos EUA seriam revogadas e de como é que agiram os iranianos. Portanto, a sequência desses atos é fundamental.