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Covid-19: África precisa de moratória mais longa da dívida externa

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O empresário e empreendedor Mo Ibrahim é um dos co-fundadores da nova Fundação África-Europa
O empresário e empreendedor Mo Ibrahim é um dos co-fundadores da nova Fundação África-Europa   -   Direitos de autor  HOLLIE ADAMS/AFP
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O processo de vacinação contra a Covid-19 e a redução da dívida externa dos países africanos são os principais assuntos a serem debatidos pelos dirigentes institucionais da União Europeia e da União Africana, por videoconferência, esta quarta-feira.

A reunião visa manter o diálogo aberto antes da 6ª Cimeira dos chefes de Estado e de governo dos dois blocos, que foi adiada para 2021 devido à pandemia de Covid-19.

A euronews debateu os principais temas com Mo Ibrahim, empresário e filantropo britânico nascido no Sudão.

O presidente da Fundação Mo Ibrahim é um dos co-fundadores da nova Fundação África-Europa, apresentada na semana passada, em Bruxelas, e considera que a vacinação contra a Covid-19 tem de ser um sucesso em todos os continentes.

Mo Ibrahim/empresário e filantropo: A Covid-19 é uma pandemia global e ninguém pode declarar vitória por si só. Temos que ter uma vitória global. Se a Covid-19 não acabar em África, também nunca acabará na Europa.

Isabel Marques da Silva/euronews: No que se refere aos efeitos sociais e económicos da pandemia de Covid-19 em África, que medidas financeiras europeias dariam uma melhor resposta?

Precisamos de uma moratória da dívida externa até 2021 ou talvez até 2022.
Mo Ibrahim
empresário e filantropo

Mo Ibrahim/empresário e filantropo: A dívida externa em 2020, em termos de juros a pagar, atingiu cerca de 36 mil milhões de euros. Obtivemos uma moratória de seis meses, mais ou menos, mas precisamos de uma moratória até 2021 ou talvez até 2022. Além disso, parte do dinheiro da ajuda ao desenvolvimento deveria ser usada para ajudar os investidores internacionais a mitigarem parte do risco dos seus investimentos, e isso poderia ter um enorme impacto.

Isabel Marques da Silva/euronews: A União Europeia definiu o Pacto Ecológico Europeu e a Agenda Digital como pilares para a sua própria recuperação e quer ter parcerias com a África nesses domínios. Quais são suas expectativas?

Metade da população não tem eletricidade. Não podemos construir uma economia sem ter eletricidade.
Mo Ibrahim
Empresário e filantropo

Mo Ibrahim/empresário e filantropo: É importante desenvolver as fontes de energia em África. Metade da população não tem eletricidade. Não podemos construir uma economia sem ter eletricidade. Não se pode ter uma sociedade segura sem eletricidade. Precisamos, também, de melhorar o sistema de educação e a forma como damos formação aos jovens, porque eles precisam estar preparados para os empregos do século XXI.

Isabel Marques da Silva/euronews: A proposta para um novo Pacto da União Europeia sobre Migração e Asilo pretende encontrar um equilíbrio entre criar vias legais para receber mão-de-obra estrangeira e aumentar o retorno à origem das pessoas que não se enquadram nos critérios. Considera que isso poderá ser feito num quadro de respeito pelos direitos humanos e no interesse da população africana?

Se criarmos oportunidade para as pessoas onde elas vivem, muito provavelmente elas não partirão.
Mo Ibrahim
empresário e filantropo

Mo Ibrahim/empresário e filantropo: Os migrantes africanos são menos de 14% dos migrantes globais. Se criarmos oportunidade para as pessoas onde elas vivem, muito provavelmente elas não partirão. É muito importante acabar com os conflitos. É por isso que é tão importante que os líderes africanos participem, esta semana, numa conferência sob o tema "Silenciar as armas". Precisamos de paz.