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Arábia Saudita não comenta cancelamentos de entregas de petróleo à Europa

Reservatórios de petróleo numa instalação da Aramco em Jeddah, Arábia Saudita, 21 de março de 2021. Foto de arquivo.
Reservatórios de petróleo nas instalações da Aramco em Jeddah, Arábia Saudita, 21 de março de 2021. Foto de arquivo. Direitos de autor  AP Photo/Amr Nabil
Direitos de autor AP Photo/Amr Nabil
De Mohamed Elashi
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Encerramento do oleoduto aumenta pressão sobre o fornecimento de petróleo saudita à Europa, numa altura em que o conflito ameaça rotas marítimas e há relatos de atrasos nas refinarias até novembro

Arábia Saudita não comentou informações de que terá cancelado ou adiado envios de petróleo bruto para refinarias europeias, na sequência dos ataques com drones da semana passada ao seu oleoduto Leste-Oeste, numa altura em que a dimensão da perturbação nas entregas à Europa continua pouco clara.

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A agência de preços de energia Argus informou na terça-feira que pelo menos três refinarias europeias viram cargamentos previstos para o final de setembro serem cancelados ou adiados, nalguns casos até novembro, citando fontes de mercado que não quis identificar.

O ministério da Energia saudita anunciou um encerramento preventivo na sexta-feira passada, após ataques com drones ao oleoduto nas regiões de Riade e Medina no dia anterior.

As autoridades sauditas e iraquianas afirmaram que os drones partiram do Iraque. O ministério indicou que equipas técnicas estavam a inspecionar o oleoduto, mas não adiantou quando seria retomado o bombeamento.

O oleoduto transporta crude dos campos petrolíferos orientais da Arábia Saudita até ao porto de Yanbu, no mar Vermelho, permitindo que as exportações evitem o estreito de Ormuz.

A partir de Yanbu, os petroleiros com destino à Europa seguem para norte, em direção ao canal de Suez. O oleoduto egípcio SUMED oferece outra via para o crude chegar ao Mediterrâneo a partir do mar Vermelho.

O petróleo armazenado nos terminais de exportação pode manter os carregamentos em circulação durante um encerramento. A duração dessas reservas depende do volume disponível e da rapidez com que forem retomadas as entregas pelo oleoduto.

O secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, afirmou na terça-feira que a interrupção do oleoduto seria “medida em dias”.

A petrolífera estatal saudita Aramco não respondeu ao pedido de comentário da Euronews até ao momento da publicação.

Bab el-Mandeb na mira dos Huthis

A coligação liderada pela Arábia Saudita afirmou na quarta-feira ter intercetado, na noite anterior, um drone Huthi a sul de Meca. Os Huthis negaram ter visado a cidade.

Na semana passada, os Huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, assumiram o controlo do estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho, depois de conquistarem o porto de Mokha e ilhas próximas ao governo iemenita internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita.

Bab el-Mandeb situa-se a sul de Yanbu, na rota direta para a Ásia. Os petroleiros com destino à Europa que navegam para norte a partir de Yanbu não passam por ali, mas o estreito é uma passagem essencial para o comércio entre a Europa e a Ásia.

O Qatar advertiu na terça-feira que perder o acesso a Bab el-Mandeb agravaria a perturbação que já afeta o tráfego marítimo através de Ormuz.

Ibrahim bin Sultan Al Hashmi, diretor de média e comunicação do ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, declarou num briefing em Doha que tal cenário seria “catastrófico para o mundo inteiro”, apelando a esforços internacionais para manter a via marítima aberta.

Entretanto, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, discutiram na terça-feira, no Cairo, a segurança das rotas marítimas regionais.

El-Sisi afirmou que a segurança saudita e do Golfo faz parte da segurança nacional do Egito, manifestou apoio às medidas da Arábia Saudita para proteger o reino e defendeu uma solução política para o conflito no Iémen.

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