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Cinema europeu volta aos prémios

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Cinema europeu volta aos prémios
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O melhor das produções cinematógráficas da Europa é celebrado anualmente, há mais de três décadas. No ano passado, a cerimónia dos Prémios do Cinema Europeu teve lugar em Berlim.

Cidade icónica da sétima arte, foi na capital alemã que nasceu a ideia de unir o cinema feito na Europa, permitindo aos profissionais do setor unirem-se.

Marion Doring, presidente da Academia Europeia de Cinema, ainda se lembra de como tudo começou, em 1988.

"A Europa ainda estava dividida, Berlim estava dividida, os cineastas sentiam-se solitários, queriam interligar-se, queriam unir forças para fazer mais pelos filmes. As pessoas e a indústria cinematográfica europeia conseguiram tanto nestes 33 anos".

Os nomeados

Entre os nomeados deste ano para melhor filme e melhor guião, está “Berlin Alexanderplatz”, do realizador germano-afegão Buhran Qurbani, uma longa-metragem sobre as dificuldades de um refugiado ilegal na Alemanha em manter uma vida dentro da lei.

Com nomeações para melhor filme, ator, realizador e guionista, “Martin Eden”, de Pietro Marcello, conta a história da luta de um pescador ao subir a escada da ascensão social para conquistar o direito de amar.

Em “Corpus Christi”, percorremos o caminho de trasnformação espiritual de Daniel, um jovem de 20 anos preso num centro de detenção juvenil. A obra, do realizador Jan Komasa, está nomeada para melhor filme, realizador, guionista e ator principal.

“Undine” traz-nos a história de uma mulher traída, que à semelhança de uma figura mitológica, tem de matar o homem que ama e voltar à agua. A longa-metragem, do realizador Christian Petzold, está nomeada para melhor filme e melhor atriz.

Da Chéquia vem outro dos nomeados para melhor filme. “The Painted Bird”, do realizador Václav Marhoul conta a história do percurso de um órfão na busca por felicidade, durante a guerra.

Uma experiência intoxicante une um grupo de amigos em “Another Round”: permanecerem ébrios para alcançar grandes feitos. Mas, para o bem e para o mal, os efeitos do álcool acabam por ficar fora de controlo. A longa-metragem, realizada por Thomas Vinterberg, conta com nomeações para melhor filme, realização, guião e ator principal.

Para a academia, as obras refletem como múltiplas línguas e linguagens se podem sentar à mesma mesa.

"Pode compará-la a uma mesa bem posta, um mesa de jantar e com muitos pratos, boa comida, diversos paladares e muitas coisas para descobrir, e é isto que é o cinema europeu. Claro que temos as culturas cinematográficas nacionais, com um carácter próprio, mas é como se quando nos encontramos com amigos de toda a Europa, fôssemos família, estivéssemos juntos apesar de sermos diferentes", refelte Doring.

O futuro após a pandemia

As restrições sanitárias impostas no último ano por causa da covid-19 provocaram um abalo na indústria cinematográfica. O cinema europeu debate-se por uma recuperação difícil de alcançar.

A pandemia, lamenta a diretora da academia, "tem enfraquecido o cinema na Europa porque as pessoas não podem ir ao cinema. Este ano, os filmes tiveram de estrear online, os festivais foram cancelados, muitos dos filmes promocionais que geralmente se faziam não existiram".

Os desafios do cinema europeu impõem-se à indústria. Agora, defende Doring, "há um grande trabalho a fazer para trazer estes filmes de volta à consciência do público de toda a Europa".