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UE vai ter nova constelação de satélites

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De  Isabel Marques da Silva  & Gregoire Lory
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UE vai ter nova constelação de satélites
Direitos de autor  Agence spatiale européenne (ESA), 2016
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A União Europeia quer ter uma nova constelação de satélites para comunicações, no seguimento do sucesso dos sistemas Galileu e Copérnico.

Durante a 13ª Conferência Espacial Europeia, esta semana, em Bruxelas, o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, anunciou que foi escolhido um novo consórcio para esse projeto.

Umas das empresas envolvidas explicou à euronews como poderão ser melhoradas as comunicações na Terra.

"Estas constelações serão colocadas em órbita baixa para melhorar a conectividade, por exemplo em territórios isolados nos quais fica muito caro usar cabos de fibra ótica. Há situações de mobilidade em que só os satélites permitem boas comunicações, como por exemplo, nos aviões e nos barcos. No futuro, poderá ser usado para os chamados objetos autónomos como serão certos tipos de automóveis", disse Stéphane Israël, presidente-executivo da Arianespace.

O projeto visa colocar em órbita mais de 600 satélites, que ficarão a uma distância da Terra de entre 500 km a mil km.

As primeiras unidades, que serão construídas por um consórcio de nove empresas, poderão estar no espaço em 2027, melhorando a qualidade de comunicações para cidadãos, empresas e órgãos públicos.

Autonomia geo-estratégica da União Europeia

Os chamados teatros de operações são, em geral, locais onde as comunicações nem sempre são fáceis, como no caso de um desastre natural ou numa situação de conflito. Esta constelação poderia fornecer ou melhorar serviços de comunicações seguras.
Stéphane Israël
Presidente-executivo da Arianespace

Além das dimensões de inovação tecnológica e lucro económico, há o objetivo de garantir maior autonomia geo-estratégica da União Europeia na cena internacional.

"Outro exemplo que dou é o das comunicações ao nível da segurança e defesa. Os chamados teatros de operações são, em geral, locais onde as comunicações nem sempre são fáceis, como no caso de um desastre natural ou numa situação de conflito. Esta constelação poderia fornecer ou melhorar serviços de comunicações seguras. Este é um exemplo ao nível da soberania. Outro exemplo é o da "nuvem" enquanto solução de armazenamento e de troca de dados, que poderá ser exclusivamente europeia, diminuindo, deste ponto de vista, a dependência de outras soluções”, explicou Stéphane Israël.

O orçamento da União Europeia para 2021 a 2027 alocou mais de 13 mil milhões de euros para a política espacial, o maior de sempre.

O comissário europeu para o Mercado Interno, que supervisiona esta área, apelou a um maior dinamismo dos operadores europeus para manter a União como potência espacial, mensagem bem acolhida pela Agência Espacial Europeia.

“A Europa tem de compreender que o fracasso não é o fim da história, é apenas uma lição que permite aprende e continuar em frente. Se queremos estar na vanguarda não podemos copiar, mas investir em coisas novas. O fracasso faz parte da fórmula mágica para o sucesso", disse Jan Wörner, diretor-geral da Agência Espacial Europeia.

Portugal tem uma agência espacial desde 2019 e pretende ter maior contribuição para a indústria de satélites.