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"Estado da União": Promover empoderamento feminino

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De  Isabel Marques da Silva  & Stefan Grobe
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"Estado da União": Promover empoderamento feminino
Direitos de autor  CRISTINA QUICLER/AFP
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O facto de não haver vacinas suficientes na União Europeia levou a uma discussão diplomática embaraçosa, esta semana, com o governo do Reino Unido.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, acusou o executivo britânico de fazer política nacionalista com as vacinas e de impor uma proibição de exportação.

O argumento do outro lado é que o governo apoiou financeiramente o desenvolvimento da vacina da AstraZeneca na Universidade de Oxford. No entanto, essa universidade foi um dos maiores destinatários de verbas da União Europeia para a investigação, antes do Brexit.

A pandemia mudou a vida e a forma de obter sustento de todos os europeus, mas um grupo que sente um grande impacto é o das mulheres, algo que foi destacado no Dia Internacional da Mulher, a 8 de março.

Em Bruxelas, o Comité das Regiões Europeu (CRE), que reúne representantes de órgãos regionais e locais dos países da União Europeia, apelou à ação contra a discriminação com base no género. Para falar deste tema, Stefan Grobe entrevistou o seu presidente, Apostolos Tzitzikostas.

Stefan Grobe/euronews: As mulheres foram afetadas de forma desproporcional pela pandemia da Covid-19, enquanto trabalhadoras na área da saúde e prestadoras de cuidados não remunerados. Muitas mulheres abandonaram a força de trabalho, assistimos ao aumento da violência doméstica contra as mulheres e a quebras nos serviços que lhes dão apoio. Como podemos assegurar-nos que esses padrões não continuarão após o fim da pandemia?

Apostolos Tzitzikostas/presidente CRE: Devemos ter uma abordagem orientada para a igualdade de género quando trabalhamos nos planos de recuperação da União Europeia, com base na experiência bem-sucedida dos Fundos Europeus de Coesão. Esses fundos permitem que as regiões e municípios invistam na participação das mulheres no mercado de trabalho e promovam o papel das mulheres na investigação e na inovação.

Stefan Grobe/euronews: Falemos sobre a representação das mulheres na política. A percentagem de mulheres no Parlamento Europeu é de quase 40%, o que está acima da média europeia para os parlamentos dos Estados-membros e da média mundial. Há cada vez mais parlamentos dos Estados-membros da União com paridade ou próximos dela. Contudo, nos níveis regional e local os números são muito piores. Não há candidatas suficientes ou os eleitores geralmente não apoiam as candidatas que se apresentam?

Apostolos Tzitzikostas/presidente CRE: Os eleitores não escolhem os candidatos com base no género. Geralmente, votam no candidato que melhor representa e defende seus interesses. No entanto, se não houver suficientes candidatos do sexo feminino, haverá sempre menor representação. Portanto, precisamos de ter mais mulheres candidatas para que os eleitores possam fazer essa escolha. É um ciclo vicioso que devemos quebrar.

Stefan Grobe/euronews: Quais são os obstáculos que as mulheres encontram na política? Penso que não são idênticos em toda a União Europeia?

Apostolos Tzitzikostas/presidente CRE: Alguns obstáculos mais relevantes são a falta de modelos de inspiração e a dinâmica já estabelecida dentro dos partidos políticos, que em muitos casos ainda são vistos como clubes masculinos, o que está errado. O problema da violência contra mulheres eleitas também influencia a capacidade das mulheres de terem um papel importante na política. É algo que deve ser levado a sério e enfrentado. A intimidação nas redes sociais está a tornar-se cada vez mais problemática. Todos estes obstáculos devem ser enfrentados em toda a União Europeia.