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Mercado automóvel vira-se para os usados e preços disparam

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De  Francisco Marques
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Procura por carros usados está já a motivar a importação pelos grandes concessionários
Procura por carros usados está já a motivar a importação pelos grandes concessionários   -   Direitos de autor  AP Photo/David Zalubowski

A crise de semicondutores está a travar a produção automóvel mundial e a alargar cada vez mais os prazos de entregas, mas o mercado das quatro rodas encontrou um escape: os veículos usados.

O aumento da procura por carros seminovos ou já com alguns anos de estrada é notório nos principais mercados mundiais, já motiva inclusive a importação para fazer face às demandas e já se reflete nos preços.

Desde 1995, que não se vendiam tão poucos carros com zero quilómetros à saída dos "stands", de acordo com os dos dados de setembro, divulgados pela Associação de Fabricantes Europeus (ACEA), que anunciou uma quebra de 23,1% na matriculação de veículos ligeiros de passageiros.

Em Portugal, a Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN) estima que o preço dos carros usados tenha subido mais de 10% e a Associação Portuguesa do Comércio Automóvel (APDCA) tem dados que indicam um aumento de 1,8% na importação de carros usados.

No Reino Unido, um estudo da "Auto Trader"diz que o preço médio de carros usados na semana passada era 23,9% mais caro do que na mesma semana há um ano e revela ainda que 17% dos veículos com menos de um ano de uso já estão a ser vendidos mais caro do que custaram novos.

Em termos globais, um estudo da Cox Automotive estima que em agosto se registava um aumento de 19% no preço de carros usados face ao mesmo mês do ano passado.

Na Dinamarca, "há demasiado tempo de espera por carros novos, por isso as pessoas estão a procurar mais os veículos seminovos", explica-nos Ilyas Dogru, da Federação Dinamarquesa de Motoristas, acrescentando que este aumento da procura pela segunda mão "significa também que a marcação para carros usados está quase esgotada".

A diminuição de oferta de usados está a levar os grandes vendedores a procurar veículos em segunda mão noutros países, um novo mercado a fazer-se sentir na importação de alguns países, como por exemplo Portugal.

A grande procura está já a aumentar também, claro, os tempos de espera pelos carros usados. Ainda não tão é um período tão largo como nos carros novos, mas já a deixar alguns concessionários com a oferta reduzida.

"Temos apenas três carros no espaço dedicado aos usados. Normalmente, são entre 25 e 30 carros", diz-nos Bjarne Pape, diretor-geral do concessionário Honda-Hyundai, em Copenhaga.

O momento, no mercado automóvel, é para vender os veículos usados, sabendo-se que os novos estão bloqueados pela falta de semicondutores e que, já num período de transição energética, os elétricos ainda não são para todas as carteiras.