Os advogados de Maduro deverão contestar a legalidade da sua detenção, alegando que ele goza de imunidade judicial por ser chefe de Estado soberano.
Nicolás Maduro, da Venezuela, declarou-se inocente das acusações relacionadas com drogas na sua primeira comparência num tribunal dos EUA na segunda-feira, poucos dias depois de ter sido detido em Caracas numa operação militar surpresa dos EUA.
"Sou inocente. Não sou culpado de nada do que aqui é mencionado", disse ao juiz Alvin Hellerstein.
"Sou um homem decente, o presidente do meu país", sublinhou.
Maduro compareceu ao lado de sua esposa, Cilia Flores, que também se declarou inocente de acusações semelhantes, dizendo ao tribunal que era "completamente inocente".
De acordo com os registros do tribunal, Maduro contratou o advogado Barry Joel Pollack, conhecido por representar o fundador do Wikileaks, Julian Assange.
Uma acusação de 25 páginas, tornada pública no sábado, acusa Maduro e outros de trabalharem com cartéis de drogas para facilitar o envio de milhares de toneladas de cocaína para os EUA. Eles podem enfrentar prisão perpétua se forem condenados.
Ele e a sua esposa estão sob sanções dos EUA há anos, tornando ilegal para qualquer cidadão americano receber dinheiro deles sem primeiro obter uma licença do Departamento do Tesouro.
Próxima audiência marcada para 17 de março
O líder venezuelano Nicolás Maduro foi hoje ao tribunal federal de Manhattan, onde compareceu perante o juiz para responder às acusações de tráfico de droga que a administração Trump utilizou para justificar a sua captura e transferência para os EUA.
Maduro e a mulher, Cilia Flores, foram transportados num veículo blindado até ao tribunal depois de terem deixado o centro de detenção de Brooklyn, onde estiveram detidos até hoje após a operação norte-americana em território venezuelano, de helicóptero.
Maduro, em trajes beges e sapatilhas cor de laranja, foi escoltado por uma forte comitiva policial. O líder venezuelano deposto foi presente a um juiz, pelas 17h (hora de Lisboa), num processo que deverá dar início a uma longa batalha judicial.
Enquanto arguido no sistema judicial norte-americano, o presidente deposto terá os mesmos direitos que qualquer outra pessoa acusada de crime, incluindo o direito de ser julgado por um júri composto por cidadãos de Nova Iorque.
Espera-se que os advogados de Nicolás Maduro contestem a legalidade da sua detenção, argumentando que ele goza de imunidade de acusação enquanto chefe de Estado soberano.
Segundo explica a CNN Internacional, o caso contra Nicolás Maduro foi atribuído ao juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, nomeado e confirmado pelo presidente Bill Clinton em 1998.
Hellerstein, juiz sénior desde 2011 no Distrito Sul de Nova Iorque, presidiu a casos decorrentes dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, bem como a outros assuntos que envolveram terrorismo e segurança nacional.
Perante a presença de Maduro em Nova Iorque, a segurança do tribunal foi reforçada com barricadas, efetivos e veículos a policiarem a local.
Os EUA prenderam Maduro e a sua esposa numa operação militar no sábado, capturando-os na sua casa numa base militar. Trump disse que os EUA iriam "governar" a Venezuela temporariamente, mas o secretário de Estado Marco Rubio disse no domingo que não iria governar o país no dia a dia, além de aplicar uma "quarentena petrolífera" já existente.
Donald Trump sugeriu no domingo que quer estender ainda mais o poder americano no hemisfério ocidental.
A bordo do Air Force One, o líder norte-americano apelidou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de "um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos. E ele não vai fazer isso por muito tempo".
Delcy Rodríguez toma posse na Venezuela
Na venezuela, a nova líder do país, Delcy Rodríguez, deverá tomar posse perante a Assembleia Nacional venezuelana esta segunda-feira.
A presidente interina substituiu o seu aliado Maduro e ofereceu-se para "colaborar" com a administração Trump, no que poderá ser uma mudança radical nas relações entre os governos adversários.
Rodríguez serviu como vice-presidente de Maduro desde 2018, supervisionando grande parte da economia dependente do petróleo da Venezuela e seu temido serviço de inteligência, e era a próxima na linha de sucessão presidencial.
No sábado, o Supremo Tribunal da Venezuela ordenou que Rodríguez assumisse o cargo de presidente interina, e a líder recebeu o apoio das Forças Armadas venezuelanas.
Donald Trump já avisou a nova líder que esta poderia pagar um "preço muito alto" se "não fizesse o que é certo".
Em comentários à revista Atlantic no domingo, o presidente dos EUA afirmou que se Delcy Rodríguez "não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro".