Kim Jong-un afirmou que a Coreia do Norte poderia "dar-se bem" com os Estados Unidos se Washington reconhecesse o seu estatuto nuclear, mas frustrou as esperanças de um degelo diplomático com Seul.
Durante o congresso do Partido dos Trabalhadores, no poder, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou que o seu país poderia "destruir completamente" a Coreia do Sul se a sua segurança fosse ameaçada, reiterando a sua recusa em dialogar com Seul.
"Não temos absolutamente nada a tratar com a Coreia do Sul, a nossa entidade mais hostil, e excluiremos permanentemente a Coreia do Sul da categoria de compatriotas", declarou Kim.
"Enquanto a Coreia do Sul não puder escapar à sua situação geopolítica de ter uma fronteira connosco, a única forma de viver em segurança é desistir de tudo o que está relacionado connosco e deixar-nos em paz".
Nos últimos anos, Kim intensificou a retórica em relação a Seul e reafirmou a rejeição da diplomacia intercoreana. Os especialistas afirmam que é pouco provável que se trate de um presságio de confrontos militares, mas sim de um esforço mais amplo para afirmar um papel regional mais forte, apoiado pelo arsenal nuclear de Kim e pelos laços com Moscovo e Pequim.
Ao mesmo tempo, Kim deixou a porta aberta ao diálogo com Washington, desde que este reconheça a Coreia do Norte como uma potência nuclear.
"Se Washington respeitar o estatuto nuclear atual do nosso país, tal como estipulado na nossa constituição, e retirar a sua política hostil, não há razão para não nos darmos bem com os Estados Unidos", declarou Kim, segundo a Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA).
Especula-se que o presidente dos EUA, Donald Trump, possa procurar uma reunião com Kim quando viajar para a China no final deste ano.
A KCNA noticiou ainda que Kim apelou ao desenvolvimento de novos sistemas de armas para reforçar as forças armadas nucleares da Coreia do Norte, incluindo mísseis balísticos intercontinentais lançados a partir de submarinos e um arsenal alargado de armas nucleares táticas, como artilharia e mísseis de curto alcance, dirigidos à Coreia do Sul.
O congresso do Partido dos Trabalhadores, que teve início na passada quinta-feira em Pyongyang, é o evento político mais importante do país. Segundo a agência noticiosa KCNA, o regime norte-coreano organizou um desfile militar na capital na quarta-feira, dia em que terminou o congresso, anteriormente realizado em 2016 e 2021.
Kim assistiu ao desfile com a sua filha, Kim Ju Ae, cada vez mais proeminente, que se crê ter cerca de 13 anos.
Kim tem vindo a privilegiar a Rússia na sua política externa, tendo enviado milhares de tropas e grandes quantidades de equipamento militar para apoiar a guerra de Moscovo na Ucrânia, possivelmente em troca de ajuda e tecnologia militar.
No entanto, faz sentido manter as opções em aberto, dado que a guerra na Ucrânia poderá abrandar, tornando a Coreia do Norte potencialmente menos valiosa para Moscovo, segundo os especialistas.
A Coreia do Norte rejeitou repetidamente os apelos de Washington e Seul para retomar a diplomacia com vista a pôr termo ao seu programa nuclear, o qual foi interrompido em 2019, após o colapso da segunda cimeira entre Kim e o então presidente dos EUA, Donald Trump, no primeiro mandato deste.
Kim afirmou que as perspetivas das relações entre os EUA e a Coreia do Norte "dependem inteiramente da atitude dos EUA". "Quer se trate de coexistência pacífica ou de confronto permanente, estamos prontos para qualquer um deles e a escolha não nos compete."