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Zona euro: inflação sobe de forma inesperada, pior ainda está para vir?

Bomba de extração de petróleo em funcionamento nos campos petrolíferos do deserto de Sakhir, no Bahrein, ao pôr do sol
Uma bomba de petróleo funciona nos campos petrolíferos do deserto de Sakhir, no Bahrein, ao pôr do sol Direitos de autor  Copyright 2012 AP. All rights reserved.
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De Piero Cingari
Publicado a Últimas notícias
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Inflação na zona euro subiu para 1,9% em fevereiro, acima do previsto, antes de as tensões no Médio Oriente fazerem disparar os preços do petróleo e do gás.

A inflação na zona euro aumentou inesperadamente em fevereiro, revelam dados divulgados esta terça-feira, complicando o discurso de desinflação do Banco Central Europeu (BCE) numa altura em que uma guerra em rápida escalada no Médio Oriente ameaça reacender um novo choque energético para a Europa.

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A taxa anual de inflação na área do euro fixou-se em 1,9% em fevereiro de 2026, acima dos 1,7% de janeiro, segundo a estimativa rápida do Eurostat. Os economistas esperavam que a taxa se mantivesse inalterada.

Em cadeia, os preços no consumidor aumentaram 0,7%, a subida mensal mais forte desde março de 2024.

A inflação subjacente, que exclui energia e produtos alimentares, subiu para 2,4% em termos homólogos, face a 2,2%, também acima do esperado.

Importa notar que estes dados foram recolhidos antes de a mais recente escalada no Médio Oriente começar a perturbar os mercados de energia.

O economista-chefe do BCE, Philip Lane advertiu esta terça-feira que uma guerra prolongada poderá voltar a pressionar em alta a inflação na zona euro e penalizar o crescimento, sublinhando que o impacto a médio prazo dependerá da amplitude e da duração do conflito.

Serviços voltam a pressionar, inflação subjacente sobe

Eurostat indicou que a inflação nos serviços deverá situar-se em 3,4% em fevereiro, em termos homólogos, acima dos 3,2% registados em janeiro. Os preços dos produtos alimentares, álcool e tabaco mantiveram-se nos 2,6%, enquanto os bens industriais não energéticos aceleraram para 0,7%, face a 0,4%.

Os preços da energia continuavam a descer em relação a um ano antes, mas menos do que em janeiro (-4,0%), sinal de que o efeito de travão da energia se está a esbater mesmo antes de as estatísticas da inflação refletirem em pleno a mais recente turbulência geopolítica.

Importa salientar que a estimativa rápida de fevereiro é anterior aos movimentos mais bruscos dos mercados desencadeados pelo alargamento do conflito no Médio Oriente, o que significa que a principal preocupação para a inflação é agora o que poderá acontecer a seguir.

As forças iranianas retaliaram com ataques contra infraestruturas energéticas críticas em toda a região do Golfo.

Na segunda-feira, um alto comandante da Guarda Revolucionária do Irão anunciou a intenção de bloquear o tráfego marítimo no estreito de Ormuz.

O estreito é um ponto de estrangulamento crucial para cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo bruto e de gás natural.

As operações de transporte marítimo no estreito de Ormuz têm sido perturbadas, com navios danificados ou imobilizados e seguradoras a retirarem a cobertura de risco de guerra, fatores que podem rapidamente traduzir-se em menor oferta de gás e preços de entrega mais elevados para a Europa.

A perturbação reacende já memórias da crise energética de 2022, quando os preços do gás dispararam, a produção industrial fraquejou e a inflação no consumidor atingiu valores de dois dígitos.

Euro enfraquece

As ações recuaram em toda a Europa. O índice Euro STOXX 50 descia 3,3% a meio da manhã, enquanto o DAX 40, da Alemanha, perdia mais de 3%, para o nível mais baixo desde dezembro de 2025.

O CAC 40, em França, recuava 2,9%, e o IBEX 35, em Espanha, e o FTSE MIB, em Itália, caíam ambos mais de 4%. O euro também se depreciava, a cair 0,8% face ao dólar norte-americano, para cerca de 1,16 dólares.

Os dados de fevereiro já apontavam para pressões subjacentes de preços persistentes, em particular nos serviços.

A energia, por seu lado, tinha sido responsável por grande parte da queda da inflação homóloga, mas esse apoio poderá desaparecer rapidamente se os preços do petróleo e do gás continuarem a subir.

Uma perturbação prolongada, sobretudo se o estreito de Ormuz vier a ficar fechado durante semanas, poderá voltar a empurrar a inflação homóloga para cima dos 2%, repercutir-se nos custos de transporte e alimentação e complicar ainda mais o percurso das taxas de juro do BCE.

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