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Estados Unidos prontos para mediar paz enquanto Moscovo intensifica ameaças a Kiev

Fumo ergue-se sobre a cidade ao amanhecer após intenso ataque aéreo russo em Kiev, 24 de maio de 2026
Fumo eleva-se sobre a cidade ao amanhecer após um intenso ataque aéreo russo em Kiev, 24 de maio de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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Ataque russo no fim de semana com dezenas de drones e mísseis mata quatro pessoas e causa destruição generalizada em Kiev.

O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio afirmou, na terça-feira, que Washington se mantém disponível para mediar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, depois de Moscovo ameaçar novos ataques contra Kiev.

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O aviso russo, que inclui um apelo para que os diplomatas estrangeiros abandonem a capital ucraniana, representa uma nova escalada numa guerra que já dura há mais de quatro anos, com Moscovo a prometer ataques "sistemáticos" contra Kiev, incluindo contra "centros de decisão".

A oferta de Rubio surgiu depois de a Rússia ter bombardeado a Ucrânia durante o fim de semana, incluindo com o disparo do míssil hipersónico Oreshnik, e na sequência de uma conversa telefónica com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

"Sempre que assistimos a estes grandes ataques de um lado ou do outro, é um lembrete de porque é que esta é uma guerra terrível, que já dura há mais tempo do que a Segunda Guerra Mundial e que tem de chegar ao fim", declarou Rubio aos jornalistas, durante uma visita oficial à Índia.

"Os Estados Unidos estão prontos e preparados para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar a facilitar o fim desta guerra e, esperamos, que surja essa oportunidade em algum momento".

A vaga de ataques russos do fim de semana, com dezenas de drones e mísseis, matou quatro pessoas e provocou estragos generalizados em toda a capital ucraniana.

Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio fala aos jornalistas após uma reunião ministerial do Quad na Hyderabad House, em Nova Deli, 26 de maio de 2026
Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio fala aos jornalistas após uma reunião ministerial do Quad na Hyderabad House, em Nova Deli, 26 de maio de 2026 AP Photo

Entre as armas usadas pela Rússia estava o míssil hipersónico Oreshnik, que pode viajar a dez vezes a velocidade do som e é capaz de transportar ogivas nucleares, segundo Moscovo.

Um ataque russo durante a noite matou um homem de 45 anos em Odessa, informou na terça-feira de manhã o responsável regional Sergii Krasylenko, na plataforma Telegram.

Os ataques seguiram-se a acusações russas de que a Ucrânia atingiu uma escola profissional na região de Lugansk, ocupada pela Rússia, matando 21 pessoas. O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou às Forças Armadas que retaliem.

"Nas atuais circunstâncias, as Forças Armadas russas começam a lançar ataques sistemáticos contra instalações do complexo militar-industrial ucraniano em Kiev", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, em comunicado.

"Os ataques terão como alvo tanto centros de decisão como postos de comando (...). Advertimos os cidadãos estrangeiros, incluindo o pessoal das missões diplomáticas e das organizações internacionais, para que abandonem a cidade o mais depressa possível", acrescentou.

Centro comercial arde após ataque russo contra Kiev, 24 de maio de 2026
Centro comercial arde após ataque russo contra Kiev, 24 de maio de 2026 AP Photo

Lavrov transmitiu o aviso a Rubio numa chamada telefónica na segunda-feira, instando-o a retirar os diplomatas norte-americanos, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Questionado pelos jornalistas, Rubio afirmou, na terça-feira, que a Rússia tinha "enviado um aviso a todas as embaixadas", não apenas à missão dos Estados Unidos.

Não vamos a lado nenhum

A Rússia já tinha apelado, no início deste mês, à retirada de cidadãos estrangeiros e diplomatas de Kiev, quando ameaçou lançar ataques maciços contra o centro da cidade se a Ucrânia perturbasse o desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo.

As missões diplomáticas ocidentais na cidade rejeitaram ambos os avisos.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês afirmou, na segunda-feira: "Estamos habituados às ameaças de Putin. Não se coloca a questão".

O embaixador da União Europeia em Kiev escreveu no Facebook: "Não vamos a lado nenhum".

A Ucrânia descreveu as ameaças russas como "retórica".

"Estamos a dizer agora aos nossos parceiros que não devem ceder a toda esta chantagem russa", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha.

A Rússia lançou a sua ofensiva em grande escala contra a Ucrânia em fevereiro de 2022. O conflito transformou-se entretanto no mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

As conversações para pôr fim aos combates, lideradas pelos Estados Unidos, estagnaram nos últimos meses devido ao conflito no Irão.

Outras fontes • AFP

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