Num dos seus maiores ataques desde o início da guerra, a Rússia lançou quase 1000 drones contra a Ucrânia, visando todas as regiões do país.
Em 24 horas a Rússia lançou quase 1.000 drones contra a Ucrânia. O ataque, que aconteceu entre 23 e 24 de março, é já considerado um dos maiores ataques aéreos de Moscovo desde o início da invasão em grande escala.
Após uma enorme barragem de mísseis e drones durante a noite, a Rússia prosseguiu o seu ataque durante a terça-feira, numa rara vaga diurna de mais de 550 drones de ataque que visaram as regiões central e ocidental.
Pelo menos três pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas em toda a Ucrânia na sequência do ataque diurno. O ataque de mísseis e drones que tinha acontecido durante a noite já tinha feito, pelo menos, quatro vítimas mortais e outros 21 feridos, segundo as autoridades.
Lviv, na Ucrânia Ocidental, foi atingida e 17 pessoas ficaram feridas quando drones russos atingiram zonas civis da cidade, não muito longe da fronteira com a Polónia.
Mosteiro classificado pela UNESCO em Lviv atingido
O governador da região de Lviv, Maksym Kozytskyi, afirmou que um marco arquitetónico de importância nacional, o complexo do Mosteiro Bernardino, foi danificado no ataque.
O mosteiro, classificado como Património Mundial da UNESCO, está situado no centro histórico de Lviv.
No seu discurso da noite, Volodymyr Zelenskyy afirmou que a história desta igreja remonta ao início do século XVII.
"Os drones iranianos 'Shahed', modernizados pela Rússia, estão a atacar uma igreja em Lviv - isto é uma perversão absoluta e só alguém como Putin poderia achar isto apelativo".
Os ataques de Moscovo também atingiram infraestruturas críticas noutros distritos.
Um dos ataques russos visou Ivano-Frankivsk, outra capital regional no oeste da Ucrânia. Duas pessoas foram mortas no ataque no centro da cidade e quatro outras ficaram feridas, incluindo uma criança de 6 anos, afirmou o governador regional.
As autoridades registaram igualmente danos em maternidades e em cerca de 10 edifícios residenciais.
Rússia "muda de tática" e "tenta encontrar vulnerabilidades
Foram também registadas explosões em Khmelnytskyi e Ternopil, no oeste da Ucrânia, bem como em Vinnytsia e Zhytomyr, na região central do país.
Uma rapariga de 12 anos ficou ferida num ataque russo no centro de Zhytomyr e foi hospitalizada.
Kiev e as áreas em redor da capital também foram alvo de ataques durante o dia, tendo a Força Aérea da Ucrânia registado drones a voar em direção a Kiev a partir do Norte.
O conselheiro do Ministério da Defesa ucraniano, Serhii Flash, afirmou que a Rússia está constantemente a mudar as suas táticas para ataques maciços, "tentando encontrar vulnerabilidades" e ultrapassar as defesas aéreas da Ucrânia.
Zelenskyy disse que a escala do ataque russo torna "muito claro que a Rússia não tem qualquer intenção de acabar com esta guerra".
"E quando se considera que a Rússia também está a ajudar o regime iraniano a atacar em toda a região, a conclusão é bastante óbvia: sem uma pressão adicional e forte sobre a Rússia, sem perdas russas tangíveis, os responsáveis de Moscovo não terão qualquer desejo de recuar na guerra ou de se habituarem novamente à paz".