O comediante comparou a primeira-dama norte-americana a uma "viúva grávida". Donald Trump fala num "desprezível apelo à violência".
O presidente dos Estados Unidos exigiu a demissão do comediante Jimmy Kimmel por ter comparado a primeira-dama Melania Trump a uma "expecting widow", ou seja, uma futura viúva, numa piada feita dias antes de um tiroteio ocorrido durante um jantar em que Donald Trump estava presente.
"Jimmy Kimmel deve ser imediatamente despedido pela Disney e pela ABC", devido ao "desprezível apelo à violência", afirmou Trump numa publicação nas redes sociais na segunda-feira, horas depois de Melania Trump também ter criticado o comentário.
"Compreendo que tantas pessoas estejam indignadas com o desprezível apelo à violência de Kimmel e, normalmente, não reagiria a nada do que ele dissesse, mas isto é algo que ultrapassa em muito os limites", acrescentou.
A primeira-dama Melania Trump criticou duramente Kimmel na segunda-feira, apesar da piada em questão ter sido feita num monólogo dias antes do incidente com o tiroteio no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, no sábado.
Autoridades do governo afirmam que um atirador que tentou invadir o jantar de gala da imprensa com uma espingarda na noite de sábado, em Washington, tinha aparentemente como alvo Trump e outros membros do governo.
Na segunda-feira, Cole Tomas Allen foi acusado de tentativa de assassinato do presidente norte-americano num tribunal de Washington. Críticos de direita alegaram que os democratas que criticavam Trump eram responsáveis por alimentar o extremismo, apesar do próprio presidente ter repetidamente quebrado os precedentes com invetivas violentas contra os opositores, os meios de comunicação social, os tribunais e os imigrantes.
Como um proeminente apresentador de um programa de comédia noturno, Kimmel tem estado no centro do debate sobre a liberdade de expressão protegida pela Constituição.
A respeito do comentário do comediante, a primeira-dama norte-americana escreveu no X que o "monólogo sobre a minha família não é comédia — as suas palavras são corrosivas e agravam a doença política que assola a América".
Kimmel foi temporariamente suspenso do seu programa na rede ABC em setembro passado, na sequência de pressões do governo, depois de ter afirmado que o movimento de extrema-direita MAGA, de Trump, estava a tentar tirar partido político do assassinato do influenciador da MAGA, Charlie Kirk.
"Kimmel esconde-se atrás da ABC porque sabe que a emissora continuará a protegê-lo", acrescentou a primeira-dama na segunda-feira.
"Já chega. É hora da ABC tomar uma posição. Quantas mais vezes é que a direção da ABC vai permitir o comportamento atroz de Kimmel às custas da nossa comunidade?, escreveu.