Movimento de Autodeterminação obteve mais de 43% dos votos, mantendo uma vantagem considerável sobre o Partido Democrático do Kosovo (21,6%) e a Liga Democrática do Kosovo (18%). Já foram contados mais de 90% dos votos.
O partido do primeiro-ministro do Kosovo, Albin Kurti, venceu com vantagem as eleições antecipadas de domingo marcado por uma baixa participação, mas não obteve votos suficientes para governar sozinho, tendo pela frente negociações difíceis para formar uma coligação.
Com mais de 90% dos votos apurados, o Movimento de Autodeterminação, de centro-esquerda, segue isolado na frente com 43,7%, acima do Partido Democrático do Kosovo (21,6%), de centro-direita, e dos liberais da Liga Democrática (18%), com base na contagem oficial da Comissão Eleitoral Central.
Na terceira eleição do Kosovo em pouco mais de um ano, o partido de Albin Kurti ficou aquém das eleições anteriores de dezembro, quando o partido obteve 51%.
Impasse político
As urnas de voto voltaram a abrir no Kosovo na manhã de domingo, com o país dos Balcãs Ocidentais a realizar novas eleições antecipadas, a terceira votação parlamentar em pouco mais de um ano. A frustração popular no país tem aumentado diante do impasse político persistente.
A votação ocorre após meses de paralisação institucional. Um parlamento profundamente dividido não conseguiu eleger um novo presidente em abril, agravando uma crise desencadeada pelas eleições inconclusivas de fevereiro de 2025.
O Movimento de Autodeterminação foi a força mais votada nas eleições de fevereiro de 2025, mas ficou aquém de uma maioria para governar, o que levou a meses de bloqueio político e a uma nova ida às urnas em dezembro.
Embora o partido de Kurti tenha voltado a conquistar o maior número de lugares (51,1%, face aos 42% em fevereiro) e tenha formado governo com o apoio de representantes das minorias, as tensões mantiveram-se. O boicote da oposição a uma votação parlamentar para nomear um novo presidente acabou por forçar a dissolução do parlamento, abrindo caminho às eleições deste domingo.
“Não creio que vá votar”, disse aos jornalistas na capital, Pristina, a programadora informática Miranda Fazliu, antes da votação. “É frustrante ver que as eleições vão provavelmente ter o mesmo resultado.”
A antiga presidente Vjosa Osmani, atualmente candidata ao parlamento pelo seu antigo partido, a Liga Democrática do Kosovo (LDK), afirmou à Euronews: “Tenho muita esperança de que o povo do Kosovo nos ajude a alcançar esse resultado, criando um equilíbrio democrático entre os partidos aqui no Kosovo, que leve todas as forças políticas a sentarem-se à mesma mesa e a chegarem rapidamente a um acordo para formar as instituições.”
Sobre o impasse em curso, acrescentou: “É uma crise desnecessária, um bloqueio completamente evitável, porque está a prejudicar o país.”
Analistas alertam que esta nova ida às urnas pode não quebrar o ciclo. O investigador em ciência política Ardi Uka afirma que o Kosovo parece preso a um padrão de eleições sucessivas, sem grandes sinais de compromisso entre os partidos rivais.
“Esta crise vai continuar”, concluiu Uka.