A cadeia ABC está sob pressão desde que Kimmel fez uma piada sobre Melania Trump três dias antes do tiroteio no Jantar de Correspondentes da Casa Branca.
Na sequência da crescente pressão da administração Trump para que os responsáveis dos canais despeçam Jimmy Kimmel, as estações de televisão detidas pela Disney terão de se sujeitar a revisões antecipadas das licenças.
A Comissão Federal das Comunicações (FCC) afirmou que essas revisões, que deviam começar em outubro de 2028, foram antecipadas.
A decisão surge depois de o apresentador de talk show Jimmy Kimmel ter feito uma piada sobre Melania Trump dias antes do tiroteio no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca.
No seu programa, Jimmy Kimmel Live! - emitido na cadeia ABC da Disney -, Kimmel disse que a primeira-dama "tinha um brilho de quem está à espera de ficar viúva".
Um porta-voz da Disney confirmou que a empresa recebeu a ordem da FCC.
"A ABC e as suas estações têm um longo historial de funcionamento em total conformidade com as regras da FCC e de serviço às suas comunidades locais, com informação credível, avisos de emergência e programação de interesse público", afirmou.
"Estamos confiantes de que esse historial demonstra que continuamos qualificados como titulares de licenças ao abrigo da Lei das Comunicações e da Primeira Emenda e estamos preparados para o demonstrar pelas vias legais apropriadas", acrescentou o porta-voz.
Anna M. Gomez, comissária democrata da FCC, classificou a ordem da FCC como uma "encenação política". "Isto não tem precedentes, é ilegal e não levará a lado nenhum. (...) As empresas devem contestá-la frontalmente. A Primeira Emenda está do seu lado", escreveu no X.
A Freedom of the Press Foundation descreveu igualmente as ações da FCC como um "ataque à Primeira Emenda", que garante as liberdades de religião, expressão, reunião e o direito de petição.
Os Trump exigiram o despedimento de Kimmel, que já tinha sido afastado do ar no ano passado devido aos comentários que fez sobre o assassinato de Charlie Kirk.
Num texto publicado na rede X, Melania Trump afirmou que a "retórica odiosa e violenta" de Kimmel pretende dividir os Estados Unidos.
"O seu monólogo sobre a minha família não é comédia: as suas palavras são corrosivas e aprofundam a doença política na América. (...) Basta. Chegou a hora de a ABC tomar uma posição. Quantas vezes a direção da ABC permitirá o comportamento atroz de Kimmel à custa da nossa comunidade?", escreveu.
Kimmel respondeu às críticas à sua piada dizendo que era apenas uma referência à diferença de idades do casal.
"Era uma piada muito ligeira sobre o facto de ele estar quase a fazer 80 anos e ela ser mais nova do que eu", afirmou Kimmel. "Não era, de forma alguma, um apelo ao assassínio."
Os comentários de Melania Trump acabaram por se virar contra si, já que críticas que a acusam de hipocrisia se tornaram virais.
Noutro ponto, o ator George Clooney defendeu Kimmel durante a Gala do Prémio Chaplin, na segunda-feira, afirmando que "piadas são piadas".
"O Jimmy é comediante e eu diria que Karoline Leavitt também não quis dizer que se deviam disparar tiros", afirmou Clooney, numa referência a uma declaração da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, feita antes do jantar. Ela dissera que esperava "alguns tiros esta noite na sala", referindo-se às observações que se esperava que Trump fizesse durante o evento.
"Estava a fazer uma piada. Tudo bem", prosseguiu Clooney. "Olha-se para esse lado e pensa-se: Bem, piadas são piadas. Mas a retórica é um pouco perigosa. E temos visto muito isso ultimamente."
Clooney afirmou que essa retórica extrema "pode ser moderada". E acrescentou: "Quando um dos lados chama traidores à pátria a todos com quem discorda, uma acusação punível com a morte, só porque não concorda com alguém, penso que a retórica está um pouco demasiado acesa."