O bispo de Quelimane, Osório Citora Afonso, foi morto no sábado, alvejado por homens armados. Suspeitos continuam a monte.
Continua a sentir-se a onda de choque do assassinato do bispo de Quelimane, na província da Zambézia, em Moçambique. Os bispos africanos mostram-se preocupados e pedem um reforço de segurança.
Osório Citora Afonso foi encontrado sem vida nas primeiras horas de sábado no corredor da residência oficial, o Paço Episcopal, em Quelimane.
Segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), citado pela imprensa moçambicana, o bispo foi atingido no coração por um disparo de uma arma de fogo AK-M, feito a curta distância. Os alegados homicidas terão saltado o muro do Paço, que era protegido por uma cerca elétrica.
O crime está a preocupar a Igreja Católica Africana, que está a pedir às autoridades uma investigação “imediata, completa, transparente e independente”.
“Exigimos que todos os responsáveis, sejam eles autores diretos, cúmplices ou mentores, sejam identificados, processados e levados à justiça sem demora”, pode ler-se num comunicado do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM).
O comunicado, assinado pelo arcebispo de Kinshasa, Fridolin Ambongo, pede mais segurança para as comunidades religiosas.
“Apelamos ainda às autoridades moçambicanas para que reforcem as medidas de proteção e segurança dos líderes religiosos, dos locais de culto e de todas as pessoas que se dedicam ao trabalho pastoral e humanitário”, pode ler-se no documento.
“O Estado tem a solene responsabilidade de garantir que todos os cidadãos possam praticar a sua fé livremente e em segurança, sem receio de intimidação, violência ou perseguição.”
No sábado, algumas horas depois, o Vaticano emitiu um comunicado em que o Papa Leão XIV se mostrava consternado com o crime. Já o presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Inácio Saure, apelou à serenidade.
O presidente de Moçambique, Daniel Chapo, falou numa “ perda irreparável para a sociedade moçambicana, em geral, e para a comunidade cristã, em particular.”
Esta segunda-feira, ainda não tinham sido realizadas as cerimónias fúnebres do bispo. Também não há notícias sobre detenção dos suspeitos.
Osório Citora Afonso tinha 54 anos. Foi nomeado bispo de Quelimane em agosto do ano passado. Funções que, este ano, passou a acumular, de forma interina, com o cargo de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira.
Segundo o último censo, cerca de 25% da população de Moçambique professa a fé católica. Cerca de 17% dos moçambicanos são muçulmanos, num cenário religioso também marcado pelo cristianismo protestante e pelas crenças tradicionais.