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28 reclusos já morreram nas prisões portuguesas em 2026

28 pessoas morreram nas prisões portuguesas até ao início de junho
28 pessoas morreram nas prisões portuguesas até ao início de junho Direitos de autor  Francisco Seco/AP
Direitos de autor Francisco Seco/AP
De Ricardo Figueira
Publicado a Últimas notícias
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Um comunicado da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) denuncia a forma como estes números estão a ser tratados, sendo, segundo esta instituição "vistos como se de algo inevitável e banal se tratasse".

Vinte e oito reclusos morreram nas prisões portuguesas durante os primeiros cinco meses de 2026, segundo dados oficiais conhecidos esta segunda-feira e divulgados num comunicado da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) a que a Euronews teve acesso.

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O número é descrito pela APAR como "uma cifra negra que, ano após ano, as autoridades competentes não conseguem fazer diminuir". O organismo critica o que aponta ser uma passividade das instituições do Estado, já que "essas terríveis ocorrências são assumidas como constituindo algo totalmente inevitável e banalmente típico do funcionamento normal dessas instituições". Acrescenta que "o que se passa no interior dessas cadeias é inadmissível e tem, aliás, dado causa a múltiplas condenações de Portugal no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos".

No comunicado, a APAR indica que irá constituir-se assistente nos inquéritos judiciais relativos a essas 28 mortes, um direito que "irá exercer de modo que a verdade dos factos seja devidamente alcançada e que a justiça seja feita relativamente a todas essas mortes", ainda de acordo com o comunicado assinado pela direção da associação em que "denuncia o julgamento sumário que alguns fazem usando os meios de comunicação social".

Numa reportagem publicada no mês passado, a Euronews dava conta de vários problemas nas prisões portuguesas apontados no recente relatório do Conselho da Europa, nomeadamente o da sobrelotação, e referia que o Estado português gastou já 1,5 milhões de euros em indemnizações a reclusos por "condições degradantes".

O secretário-geral da APAR, Vítor Ilharco, voltou a chamar a atenção para as condições no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), dizendo que "qualquer país civilizado da Europa não permitiria que o EPL servisse sequer para canil". Ilharco disse ainda "não haver um único recluso que esteja saudável".

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