Um comunicado da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) denuncia a forma como estes números estão a ser tratados, sendo, segundo esta instituição "vistos como se de algo inevitável e banal se tratasse".
Vinte e oito reclusos morreram nas prisões portuguesas durante os primeiros cinco meses de 2026, segundo dados oficiais conhecidos esta segunda-feira e divulgados num comunicado da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) a que a Euronews teve acesso.
O número é descrito pela APAR como "uma cifra negra que, ano após ano, as autoridades competentes não conseguem fazer diminuir". O organismo critica o que aponta ser uma passividade das instituições do Estado, já que "essas terríveis ocorrências são assumidas como constituindo algo totalmente inevitável e banalmente típico do funcionamento normal dessas instituições". Acrescenta que "o que se passa no interior dessas cadeias é inadmissível e tem, aliás, dado causa a múltiplas condenações de Portugal no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos".
No comunicado, a APAR indica que irá constituir-se assistente nos inquéritos judiciais relativos a essas 28 mortes, um direito que "irá exercer de modo que a verdade dos factos seja devidamente alcançada e que a justiça seja feita relativamente a todas essas mortes", ainda de acordo com o comunicado assinado pela direção da associação em que "denuncia o julgamento sumário que alguns fazem usando os meios de comunicação social".
Numa reportagem publicada no mês passado, a Euronews dava conta de vários problemas nas prisões portuguesas apontados no recente relatório do Conselho da Europa, nomeadamente o da sobrelotação, e referia que o Estado português gastou já 1,5 milhões de euros em indemnizações a reclusos por "condições degradantes".
O secretário-geral da APAR, Vítor Ilharco, voltou a chamar a atenção para as condições no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), dizendo que "qualquer país civilizado da Europa não permitiria que o EPL servisse sequer para canil". Ilharco disse ainda "não haver um único recluso que esteja saudável".