É o ponto mais baixo desde 2015, com as empresas a culparem as perturbações geopolíticas, um mercado desordenado e a incerteza regulamentar. A Hungria e a Croácia contrariam a tendência.
As empresas europeias estão a recuar nos seus investimentos.
A taxa de investimento empresarial da União Europeia (UE) caiu para o seu nível mais baixo em mais de uma década, atingindo 21,8% no quarto trimestre de 2025, de acordo com novos dados do Eurostat.
A taxa mede basicamente a quantidade de dinheiro que as empresas estão a investir em coisas como maquinaria e edifícios, em relação ao valor total que criam.
O índice não tem em conta os bancos e as sociedades financeiras, mas sim as "empresas normais", como hotéis, fábricas, supermercados, companhias aéreas, entre outros.
Curiosamente, a taxa de crescimento das empresas na UE atingiu o seu máximo logo antes da COVID-19, no 4.º trimestre de 2019 (26,77%), impulsionada pelo aumento das importações de propriedade intelectual e pela globalização, segundo o Eurostat. Atualmente, essa taxa está apenas ligeiramente acima do mínimo registado, 20,93% no 1.º trimestre de 2010, após a última grande crise financeira.
Onde é que as empresas estão a reinvestir menos na economia?
É surpreendente o facto de algumas das taxas de investimento mais baixas serem provenientes dos principais centros de negócios da Europa: Luxemburgo, Irlanda e Países Baixos, todos com menos de 17%.
Enquanto a taxa do Luxemburgo tem sido historicamente baixa, devido ao pequeno setor industrial do país, a Irlanda perdeu 27 pontos percentuais em menos de uma década.
"O investimento das empresas é um fator determinante do crescimento do PIB. O investimento em equipamento, software, fábricas... está claramente por detrás do motor de crescimento da produtividade", afirma Antonio Fatas, Professor de Economia do INSEAD, à Europa em Movimento.
"Este facto é ainda mais importante para a Europa, uma vez que, nos últimos anos, tem vindo a ficar atrás dos EUA no que diz respeito ao crescimento da produtividade", com uma diferença de quase 2%, que o Professor Fatas considera "chocante".
Ao mesmo tempo, a Grécia registou um dos aumentos mais rápidos em todo o bloco desde 2015, com quase 10%, enquanto a Hungria e a Croácia registaram as taxas mais elevadas em todo o bloco, ambas com mais de 28% no último ano de registo para países individuais.
Porque é que as empresas recuam e a defesa pode trazer novos investimentos?
O Banco Central Europeu (BCE) tem algumas respostas, depois de ter inquirido 64 empresas líderes na área do euro sobre as decisões de investimento recentes e previstas, bem como sobre os fatores que as impulsionam ou condicionam.
Cerca de 90% das grandes empresas inquiridas atribuem a sua hesitação em gastar à atual fraca procura.
Mas também estão muito preocupadas com a baixa rendibilidade, os encargos regulamentares e os custos laborais referidos por mais de 80% das empresas.
As tensões geopolíticas também afetaram os fabricantes, em especial os afetados por direitos aduaneiros e perturbações causadas pela guerra.
Os fabricantes afirmaram, ainda, que a imprevisibilidade das regulamentações climáticas está a pesar nos seus planos a longo prazo, mais ainda do que a atual crise energética.
Ao mesmo tempo, "o aumento previsto das despesas com a defesa é amplamente considerado como um potencial catalisador do investimento", afirmou o BCE, uma vez que "metade das empresas industriais e um quinto das empresas de serviços inquiridas esperam que o aumento das despesas com a defesa apoie o seu investimento nos próximos três anos".
O estudo foi realizado numa maioria de 39 empresas ativas no setor industrial, enquanto as outras 25 se concentram principalmente nos serviços.