O design, criado no âmbito da parceria do Ano de Cultura 2026, que envolve o Qatar, o Canadá e o México, combina símbolos qataris e canadianos.
Poucos artistas esperam que as suas obras acabem numa grelha de Fórmula 1.
Mas foi exatamente isso que aconteceu à qatari Ghada Al Suwaidi, convidada a criar um capacete personalizado para o piloto da Alpine Pierre Gasly, antes do Grande Prémio do Canadá, em Montreal.
O projeto integra o programa Years of Culture 2026 (Anos de Cultura 2026, em português), centrado no Qatar, Canadá e México.
O desenho junta símbolos canadianos, como a folha de ácer e o alce, ao animal nacional do Qatar, o órix.
"É uma ponte entre duas culturas tão diferentes, mas nas quais ainda assim se encontram pontos em comum", disse à Euronews a artista.
Uma tela diferente
Conhecida pelos murais, ilustrações e trabalhos digitais, Al Suwaidi diz que criar um capacete de Fórmula 1 representou um novo desafio.
Ao contrário das obras de grande formato, o desenho tinha de funcionar na superfície curva de um capacete de corrida e continuar a ser facilmente reconhecível em pista.
"Na verdade, é bastante complicado, porque é a primeira vez que desenho um capacete", afirmou.
"Por isso, tive de pesquisar bastante para perceber como é que outras pessoas incorporam elementos de design e grafismos nos seus trabalhos."
Ao contrário de um mural, cada detalhe tinha de caber num espaço limitado, deixando lugar para os logótipos dos patrocinadores e mantendo-se visível à velocidade de corrida.
Para Gasly, o processo foi, em grande medida, deixado nas mãos da artista.
"Não quero interferir. Quero mesmo deixar a artista fazer a sua magia", explicou.
O piloto francês contou que um dos elementos do desenho final se destacou de imediato.
"A folha de ácer é, para mim, muito canadiana. Mas achei que o órix e o chifre de alce do outro lado davam ao capacete um aspeto muito agressivo, que combina com o meu estilo de condução", disse.
De Doha a Montreal
O projeto junta uma artista qatari, um piloto francês de Fórmula 1 e uma corrida no Canadá.
Gasly diz que colaborações deste tipo podem dar a conhecer artistas a públicos para lá do circuito artístico tradicional.
"Acho extraordinário dar a oportunidade a artistas que talvez não tenham projeção global de se exprimirem através do desporto", afirmou.
A Fórmula 1 tornou-se uma plataforma cada vez mais popular para capacetes de edição única, com os pilotos a utilizarem regularmente pinturas e grafismos especiais para corridas específicas ao longo da época.
Arte encontra o desporto
Para Al Suwaidi, o projeto mostrou a capacidade da arte de chegar a pessoas de diferentes origens e públicos.
"Creio que a arte é uma linguagem universal. Não é necessária tradução para a compreender", declarou.
"Cada pessoa irá interpretá-la de forma diferente", acrescentou.
O capacete foi usado por Gasly durante o Grande Prémio do Canadá, em Montreal, dando ao trabalho de Al Suwaidi um público muito para além das galerias onde costuma ser exibido.