Trump, eleito em parte com base nas promessas de combater a inflação, afirmou que estava preparado para que a guerra no Irão afetasse as bolsas e o preço do petróleo.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pareceu na quarta-feira acolher com satisfação novos dados que mostram que a inflação subiu para uma taxa anual de 4,2 % em maio, afirmando aos jornalistas: "Adoro a inflação".
Os preços dispararam nos últimos meses, num contexto de guerra dos Estados Unidos no Irão, com o fecho do estreito de Ormuz por Teerão a ter um forte impacto nos mercados globais. A inflação subiu de 2,4 % em fevereiro – antes do início do conflito – para 3,3 % em março e 3,8 % em abril.
Ao responder a uma pergunta sobre os dados mais recentes, na Casa Branca, na quarta-feira, Trump mostrou-se despreocupado e afirmou que Washington continuava a fazer passar petróleo em segredo pelo estreito de Ormuz, um dos principais pontos de estrangulamento mundiais para o transporte de petróleo e gás.
"Não, não, adoro. Os números foram ótimos", disse, acrescentando que os Estados Unidos tinham estado a "retirar milhões de barris de petróleo" sem o conhecimento de Teerão.
"Na outra noite apreendemos 22 navios, já tarde, sem luzes, porque eles não têm radar", prosseguiu. "É por isso que o barril de petróleo custa 85 dólares".
Trump, eleito em parte graças às promessas de combater a inflação, disse também que estava preparado para que a guerra afetasse os mercados bolsistas, mas sublinhou que considerava ter "valido a pena".
"Detesto fazer-vos isto, mas o Irão vai ter muito em breve uma arma nuclear. Temos de ir atacar", afirmou, sobre a decisão de avançar com a ação militar.
De acordo com o relatório do Gabinete de Estatísticas Laborais dos EUA, os preços da energia aumentaram 23,5 % nos últimos 12 meses, enquanto a gasolina subiu 40,5 %.
A subida de preços deverá ser um tema central na campanha para as eleições intercalares de novembro, que vão determinar a composição do Congresso.
Em resposta aos comentários de Trump sobre a inflação, numa publicação nas redes sociais, o senador norte-americano Bernie Sanders escreveu: "Sabe quem é que não gosta da inflação, Sr. Presidente? As famílias trabalhadoras que lutam para pagar a gasolina, os produtos alimentares e outras necessidades básicas por causa das suas ações desastrosas".