Loader
Encontra-nos
Publicidade

Japão: juros da dívida pública a 10 anos atingem máximo de 30 anos com dados fracos

Pessoa passa diante de painel eletrónico com gráfico da bolsa exibindo o índice Nikkei, numa corretora em Tóquio, 13 ago. 2026
Pessoa passa diante de painel eletrónico de cotações que mostra o índice Nikkei do Japão numa corretora em Tóquio, 13 de agosto de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Eugene Hoshiko
Direitos de autor AP Photo/Eugene Hoshiko
De Quirino Mealha
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Na segunda-feira, o juro da obrigação do Estado japonês a 10 anos atingiu o máximo desde 1996, após dados revelarem que a quarta maior economia mundial cresceu bem menos do que o esperado no segundo trimestre

Dois acontecimentos económicos cruzaram-se em Tóquio com poucas horas de intervalo.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Investidores obrigacionistas levaram a rendibilidade das obrigações do Estado japonês a 10 anos para um máximo de três décadas, antes de o governo revelar que o crescimento ficou em pouco mais de metade do ritmo previsto pelos economistas, um contraste que diz muito sobre o que está hoje a mover os mercados japoneses.

A economia cresceu a um ritmo anualizado de 1,1% no segundo trimestre, mostram dados do Gabinete do Governo, bem abaixo da previsão de 2,0% e em desaceleração face aos 1,9% revistos em baixa no primeiro trimestre.

Em cadeia, o PIB avançou apenas 0,3% face a uma previsão de 0,5%, marcando o terceiro trimestre consecutivo de expansão. O consumo privado manteve-se praticamente estagnado e o investimento das empresas caiu 1,2%, enquanto as exportações líquidas, apoiadas pelo iene fraco, acrescentaram 0,5 pontos percentuais ao crescimento.

A rendibilidade das obrigações do Estado japonês (JGB) a 10 anos tocou 2,93% mais cedo, o nível mais alto desde setembro de 1996, antes de recuar ligeiramente quando foram divulgados os números do PIB.

O desfasamento entre crescimento fraco e subida das rendibilidades ajuda a explicar o que está hoje a mover a dívida japonesa: não o crescimento, mas a inflação e a moeda.

O deflator do PIB aumentou 2,6% em termos homólogos e os traders apostam cada vez mais que o Banco do Japão irá aumentar a taxa diretora, atualmente em 1% e já em máximo de três décadas, já em setembro, para travar a inflação e apoiar o iene.

Japão e Estados Unidos gastam milhares de milhões para defender o iene

O iene desvalorizou para 163,73 por dólar norte-americano no final de julho, o nível mais fraco em cerca de quatro décadas, levando o Japão e os Estados Unidos a realizarem a primeira intervenção cambial conjunta desde 2011.

O Japão terá mobilizado cerca de 85 mil milhões de dólares (73,3 mil milhões de euros) só nos dois primeiros dias, enquanto a intervenção norte-americana terá sido muito mais reduzida, segundo o Goldman Sachs.

A operação devolveu o iene para cerca de 159 por dólar norte-americano.

Há atualmente um fosso amplo entre as taxas de juro no Japão e nos Estados Unidos, com a taxa de referência da Reserva Federal ainda entre 3,50% e 3,75%. A reunião de setembro do Banco do Japão é encarada como o próximo teste à sustentabilidade da recuperação da moeda.

O mercado obrigacionista japonês tem impacto muito para lá de Tóquio por causa do carry trade em ienes, em que os investidores se endividam em ienes a baixo custo para financiar compras de ativos de maior rendibilidade no estrangeiro, desde Treasuries norte-americanos a dívida de mercados emergentes.

A subida das rendibilidades japonesas corrói a rentabilidade dessa estratégia e pode forçar uma inversão rápida, como sucedeu em agosto de 2024, quando uma subida de juros do Banco do Japão, combinada com dados fracos sobre o emprego nos EUA, levou o Nikkei a cair mais de 12% numa só sessão e fez recuar cerca de 3% o S&P 500.

Com as rendibilidades das JGB em máximos de três décadas e novo aperto ainda esperado, analistas consideram que as condições para um choque semelhante continuam presentes.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Nvidia: acordo de 500 mil milhões em Wall Street revela limites do boom da IA

Trump impõe tarifas sobre drones até 100%, com uma taxa mais baixa para a UE e o Reino Unido

Venezuela: BP regressa com parceiros do Golfo enquanto abertura energética acelera