Venezuela atribui à BP licença para desenvolver o campo de gás offshore Loran com parceiros estatais dos EAU e do Qatar, assinalando o regresso da petrolífera britânica ao país desde a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas
BP regressa à Venezuela.
O acordo, assinado em Caracas na quinta‑feira, atribui à empresa a função de operador da fase dois de Loran, um projeto de gás offshore com mais de quatro biliões de pés cúbicos de reservas provadas, em que a XRG de Abu Dhabi e a UCC Oil and Gas Holding do Qatar assumem participações iguais.
É até agora o sinal mais claro de que a abertura da indústria energética venezuelana ao capital estrangeiro, em curso desde a destituição de Maduro, está a ganhar ritmo.
As três empresas deterão participações operacionais idênticas, com a BP como operadora, e a licença continua sujeita a aprovações regulamentares.
A PDVSA Gas, o braço de gás do produtor estatal, transferiu parte da sua participação para a XRG, o veículo internacional de investimento da ADNOC de Abu Dhabi. Para a XRG e para a UCC, uma unidade do conglomerado catari com o mesmo nome, este é o primeiro investimento na Venezuela.
O próprio campo é partilhado, já que Loran corresponde à parte venezuelana da acumulação Loran-Manatee, que se estende ao longo da fronteira marítima com Trindade e Tobago e contém cerca de dez biliões de pés cúbicos de gás recuperável.
A Shell venceu em junho a licença para a primeira fase e está a desenvolver em separado Manatee do lado trinitário, onde o arranque da produção de gás é esperado no próximo ano.
A BP afirma que as duas fases venezuelanas serão agora desenvolvidas em paralelo e assinou ainda um memorando de entendimento para a exploração no bloco Carúpano East.
Os acordos foram concluídos durante uma visita a Caracas da presidente executiva, Meg O’Neill, e de David Campbell, vice‑presidente sénior da BP para a América Latina e Caraíbas.
Setor reabre sob pressão dos EUA
As licenças resultam de um acordo alcançado com Washington.
Depois de Maduro ter sido capturado pelas forças norte‑americanas em janeiro, a presidente interina, Delcy Rodríguez, reescreveu a lei energética do país, a pedido da administração Trump, abrindo às empresas estrangeiras as maiores reservas provadas de petróleo do mundo.
Em contrapartida, os Estados Unidos aliviaram as sanções que tinham congelado a maioria dos investimentos ocidentais, incluindo as licenças que tinham sido revogadas à BP, Shell e Chevron em 2025.
Eni, Repsol e Shell assinaram desde então.
O processo de atribuição ficou paralisado após os terramotos de 24 de junho, que causaram mais de 6 300 mortos, e só foi retomado na quinta‑feira, quando foram emitidas as três licenças de Loran e assinados os acordos.
“Tenho um interesse especial no gás para promover o desenvolvimento nacional”, afirmou Rodríguez na cerimónia, transmitida pela televisão estatal.
A BP não é um recém‑chegado, já que detinha desde 2024 uma licença para o campo Cocuina, antes de Washington ter retirado a autorização para a utilizar.