O novo plano prevê a criação do “Cyberdome”, uma rede de sensores digitais destinada a detetar e travar ataques informáticos, avançou o Bild.
A Alemanha está a preparar um “escudo de proteção” para combater tentativas de sabotagem após uma tentativa de ataque com drone no aeroporto de Leipzig no mês passado, avançou este domingo o jornal Bild.
Alexander Dobrindt, ministro da Administração Interna alemão, disse ao jornal que os ataques híbridos russos se tornaram uma “realidade diária” e deverão aumentar, mas sublinhou que há formas de o país se defender.
Segundo o Bild, com base em informação do Ministério da Administração Interna alemão, o novo plano prevê a criação de um “Cyberdome”, uma rede de sensores digitais destinada a detetar e intercetar tentativas de pirataria informática.
O plano inclui ainda o reforço das capacidades móveis de defesa contra drones da polícia alemã, com “unidades de rápida intervenção” baseadas em cidades-chave como Berlim, Munique e Hamburgo para proteger o espaço aéreo sobre grandes plataformas de transporte.
O recurso a tecnologia de IA, como o reconhecimento facial, será também reforçado para ajudar a identificar potenciais atacantes, enquanto as empresas passarão a ter autorização para detetar drones e “defender-se ativamente contra eles”, acrescenta o jornal.
Incidente no aeroporto Leipzig/Halle
A medida surge depois de o governo alemão ter atribuído formalmente a Moscovo a responsabilidade por uma tentativa de ataque com drone em Leipzig, em agosto.
A 4 de agosto, foi encontrado um drone com explosivos no aeroporto Leipzig/Halle, um importante centro de carga, o que levou ao encerramento das pistas e ao desvio de voos.
Numa conferência de imprensa na passada terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, anunciou que Berlim vai tomar medidas contra a Rússia “enquanto autora do ataque híbrido em Leipzig”, incluindo o encerramento do consulado russo em Bona e do seu centro cultural em Berlim.
“O consulado-geral russo em Bona será encerrado até 18 de setembro”, afirmou, acrescentando que haverá também controlos fronteiriços mais rigorosos para cidadãos russos e maior pressão sobre a frota sombra da Rússia.
A embaixada russa na Alemanha divulgou mais tarde um comunicado em que contesta as acusações de Berlim e ameaça “consequências” em resposta às sanções.
Sergey Nechayev, embaixador russo na Alemanha, “rejeitou categoricamente as acusações feitas por Berlim como infundadas, absurdas e contrárias ao senso comum”, lê-se no comunicado.
Referindo-se às sanções alemãs, o texto acrescenta: “Observou que as medidas anunciadas pelo lado alemão representam uma escalada sem precedentes nas relações russo-alemãs e não ficarão sem consequências, pelas quais o governo alemão assumirá plena responsabilidade.”
Num discurso no início da semana, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou “total solidariedade” com a Alemanha face à tentativa de ataque, que disse ter usado “material de grau militar” e ter sido “levada a cabo por operacionais russos em solo da União Europeia”.
“Se a intenção era fazer-nos hesitar no apoio à Ucrânia, posso dizer que isso só reforçou a minha determinação”, acrescentou.