Na derradeira jornada da fase de grupos, as equipas arriscaram em abordagens ora prudentes ora arrojadas na luta por um lugar nos oitavos de final.
Na noite de quinta-feira, já pela madrugada de sexta, disputaram-se os jogos da terceira jornada da fase de grupos dos grupos D, E e F no Mundial de 2026.
Nos seis encontros, oito – talvez nove – seleções garantiram pontos decisivos para seguirem para a fase a eliminar desta versão alargada do Mundial, com 48 equipas.
Eis um balanço dos encontros:
Costa do Marfim - Curaçao
Explodiu a festa da Costa do Marfim, com os jogadores a caírem de joelhos no relvado para a foto de equipa, todos com um dedo apontado ao céu.
No balneário, as camisolas voaram, houve danças e muita festa numa celebração tão merecida quanto há muito esperada.
A Costa do Marfim tinha vencido o Equador por 1-0 na estreia, no mesmo estádio de Filadélfia deste jogo, e perdido com a Alemanha no segundo encontro do Grupo E.
Curaçao precisava de vencer e falhou a oportunidade de se tornar a nação mais pequena a qualificar-se para a fase a eliminar.
Nicolas Pépé, que joga no Villarreal de Espanha, acabou cedo com o suspense, marcou logo aos sete minutos e a vantagem manteve-se até final, perante um público entusiasta que fez os Elefantes sentirem-se em casa.
A Costa do Marfim montou o quartel-general no vizinho estado de Delaware e treinou no complexo suburbano do Philadelphia Union, da Major League Soccer.
A 30 de junho, a Costa do Marfim defronta França ou Noruega, a seleção que terminar em segundo lugar no Grupo I, decisão que fica fechada na noite de sexta-feira.
Equador - Alemanha
Um ligeiro toque com a biqueira de Gonzalo Plata permitiu ao Equador uma fuga em grande estilo.
Plata desviou a bola para lá de Manuel Neuer aos 77 minutos e conduziu o Equador a uma reviravolta, triunfo por 2-1 sobre a Alemanha, que valeu o apuramento para a fase a eliminar de um Mundial pela primeira vez desde 2006.
"A vida é diferente agora. Sofremos muito", disse Plata, extremo de 25 anos que apontou o nono golo pela seleção. "Sofremos demasiado nos dois primeiros jogos. Gostaríamos de ter garantido a qualificação muito antes, mas agora seguimos ainda com mais fome, sabendo que temos de dar tudo."
O Equador, que perdeu apenas um dos últimos 22 jogos, terminou o Grupo E em terceiro lugar, com quatro pontos, e ultrapassou a fase de grupos pela segunda vez, rumo a um possível duelo com o México, na terça-feira, na Cidade do México.
Quatro vezes campeã do mundo e já apurada depois de vencer os dois primeiros jogos, a Alemanha disputa na segunda-feira, em Foxborough, Massachusetts, o encontro dos 16 avos de final, muito provavelmente contra Paraguai, Austrália ou Suécia.
A Alemanha adiantou-se logo aos dois minutos, por Leroy Sané. Aleksandar Pavlović dominou a bola com o peito e acabou por pontapear a cabeça de Pedro Vite após um lançamento lateral de Nathaniel Brown, mas a árbitra norte-americana Tori Penso não assinalou falta. Pavlović entregou depois a Florian Wirtz, que cruzou para Sané, já dentro da área, bater o guarda-redes Hernán Galíndez.
Nilson Angulo empatou aos nove minutos, assinando o primeiro golo equatoriano neste Mundial, depois da derrota por 1-0 com a Costa do Marfim e do 0-0 frente a Curaçao.
Felix Nmecha perdeu a bola a meio-campo para Vite. O médio lançou Angulo, que conduziu em direção à baliza e bateu Neuer ao segundo poste, ainda de fora da área.
A série de vitórias da Alemanha ficou assim interrompida nos 11 jogos, a apenas um do recorde estabelecido em 1979-80.
"A diferença hoje foi que o adversário queria ganhar mais do que nós, e isso sentiu-se bem, sobretudo na segunda parte", admitiu o médio alemão Joshua Kimmich.
Países Baixos - Tunísia
Os relâmpagos que cortaram o céu sobre o Arrowhead Stadium, na noite de quinta-feira, travaram apenas por instantes o Oranje Fanwalk, enquanto milhares de adeptos neerlandeses marchavam em massa para ver os Países Baixos defrontarem a Tunísia, com o primeiro lugar do Grupo F em jogo.
Pouca coisa parece travar esta seleção neerlandesa e muito menos uma equipa tunisina em plena crise.
Brian Brobbey marcou o terceiro golo no torneio e os Países Baixos beneficiaram ainda de dois autogolos de jogadores tunisinos, selando o 3-1 e, com isso, o primeiro lugar no grupo.
Os minutos iniciais do encontro resumiram também as últimas semanas das Águias de Cartago: o defesa neerlandês Denzel Dumfries cruzou rasteiro à frente da baliza, Ellys Skhiri tentou aliviar com o pé e o capitão tunisino acabou por introduzir a bola na própria baliza.
Brobbey fez o 2-0 aos sete minutos, após um livre conquistado pelos neerlandeses a cerca de 23 metros da baliza. O gigante Van Dijk, de 1,95 m, desviou de cabeça através da área e Brobbey apareceu no sítio certo para picar a bola sobre o guarda-redes tunisino Aymen Dahmen.
A Tunísia só marcou aos 54 minutos, quando Hazem Mastouri desviou para a baliza um pontapé de canto, mas poucos minutos depois os Países Baixos repuseram a diferença: um cabeceamento de Van Hecke, também na sequência de um canto, desviou na cabeça de Anis Slimane e terminou de novo no fundo da própria baliza.
"Voltámos a marcar logo a seguir, por isso foi uma boa resposta", comentou Brobbey.
A partir daí, os Países Baixos controlaram o encontro, mesmo quando o chuvisco da primeira parte deu lugar a um autêntico dilúvio na segunda.
"São estes os jogos em que queremos estar. São os grandes jogos, a razão pela qual queremos jogar um Mundial", afirmou o defesa neerlandês Jan Paul van Hecke. "Acho que a equipa está preparada para um grande jogo e todos sabem que agora é a doer."
Suécia - Japão
Daizen Maeda colocou o Japão em vantagem e Anthony Elanga anulou-a seis minutos depois, garantindo à Suécia um empate 1-1, na noite de quinta-feira, que apurou ambas as seleções para a fase a eliminar do Mundial.
Maeda dominou na área um excelente passe de Ritsu Doan com o pé esquerdo e bateu com facilidade o guarda-redes Jacob Widell Zetterström com o direito.
O avançado sueco Elanga respondeu aos 62 minutos com um remate forte de pé esquerdo, um pouco fora do vértice direito da área, apontando o seu segundo golo neste Mundial. Pelo Newcastle, soma apenas três golos em 49 jogos, e nenhum em 32 partidas da Premier League.
Foi o sétimo golo do Japão neste torneio, o máximo de sempre da seleção nipónica num Mundial completo, superando os seis marcados quando atingiu os oitavos de final na Rússia, há oito anos.
O Japão segue para lá da fase de grupos pelo terceiro Mundial consecutivo e pela quinta vez em sete participações desde que alcançou pela primeira vez os oitavos de final, como coanfitrião, em 2002.
A seleção japonesa terminou o Grupo F no segundo lugar, atrás dos Países Baixos, e vai defrontar o Brasil em Houston, na segunda-feira. A Suécia terá de esperar para conhecer o adversário nos 16 avos de final, na próxima semana.
Turquia - Estados Unidos
Os Estados Unidos procuravam apenas chegar ao fim do último jogo da fase de grupos, na noite de quinta-feira, sem lesões nem expulsões, enquanto a Turquia jogava por uma vitória de honra para encerrar um torneio dececionante.
Ambas as equipas saíram com o que mais pretendiam deste encontro sem impacto na classificação, antes de os coanfitriões EUA seguirem para a fase a eliminar, e o selecionador Mauricio Pochettino irritou-se com qualquer sugestão de que a derrota por 3-2, sofrida já nos descontos, revelasse algo de negativo sobre o estado da sua equipa.
O resultado nada alterou para os norte-americanos, que já tinham a qualificação garantida e vão defrontar a Bósnia-Herzegovina nos 16 avos de final, na quarta-feira. Pochettino fez alinhar nove novidades no onze, incluindo oito jogadores a estrearem-se como titulares em jogos de Mundial.
Auston Trusty marcou logo aos três minutos para os EUA, que tinham vencido Paraguai e Austrália por um total de 6-1 para assegurarem o lugar na fase a eliminar.
Arda Güler e Baris Alper Yilmaz marcaram ainda na primeira parte, coroando uma exibição resiliente da Turquia, já eliminada depois de perder os dois primeiros jogos, apesar de ter dominado em grande parte as estatísticas.
Os EUA voltaram a empatar no início da segunda parte, com um golo de Sebastian Berhalter, e ficaram a poucos segundos de completar a fase de grupos sem derrotas.
A Turquia acabaria por vencer, de forma improvável, aos oito minutos de compensação, quando Can Uzun recebeu a bola solto ao segundo poste e, perante a saída arriscada do guarda-redes Matt Turner, tocou para Ayhan, que se atirou ao solo para empurrar para a baliza no último lance do encontro.
Austrália - Paraguai
Austrália e Paraguai empataram 0-0 na noite de quinta-feira, resultado que garantiu aos Socceroos um lugar na fase a eliminar do Mundial e que deverá ser suficiente para a qualificação dos paraguaios.
O formato alargado, com 48 equipas e vagas na fase a eliminar para oito dos 12 terceiros classificados com melhor registo, ajudou a explicar a abordagem cautelosa de ambas as seleções no último jogo do Grupo D, a que chegaram empatadas com três pontos, fruto das vitórias sobre a Turquia.
Quem vencesse garantia o segundo lugar no grupo, atrás dos Estados Unidos, mas à Austrália bastava o empate graças a uma melhor diferença de golos face ao Paraguai. E o próprio empate, que deixou os sul-americanos com quatro pontos, deverá ser suficiente, salvo uma sucessão de resultados muito desfavoráveis nos dois últimos dias da fase de grupos.
"Tentámos ganhar o jogo", assegurou o selecionador australiano, Tony Popovic. "No fim, o empate acabou por servir às duas seleções. Parabéns também ao Paraguai. Tal como sentimos euforia e alegria enquanto nação, tenho a certeza de que o Paraguai também sente."
Esta é a terceira vez que a Austrália chega à fase a eliminar, depois de ter caído nos oitavos de final em 2006 e 2022. Os Socceroos jogam os 16 avos de final a 3 de julho, em Arlington, Texas, frente ao segundo classificado do Grupo G, que ficará definido na noite de sexta-feira.
O Paraguai terá de esperar para saber o desfecho, mas está bem colocado para chegar pela quinta vez à fase a eliminar.