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Venezuela: número de mortos sobe para pelo menos 2.295, incluindo 75 portugueses

Khaterine Roa chora enquanto membros do Corpo de Bombeiros de Los Angeles procuram sobreviventes num edifício que ruiu nos sismos que atingiram La Guaira, Venezuela
Khaterine Roa chora enquanto membros do Corpo de Bombeiros do condado de Los Angeles procuram sobreviventes num edifício que ruiu nos terramotos em La Guaira, Venezuela Direitos de autor  (AP Photo/Matias Delacroix)
Direitos de autor (AP Photo/Matias Delacroix)
De Sertac Aktan & Joana Mourão Carvalho com AP
Publicado a Últimas notícias
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Médicos receiam uma grave crise médica na Venezuela após os terramotos de 24 de junho, que causaram 2 295 mortos e mais de 11 000 feridos. Milhares de deslocados vivem em abrigos sobrelotados, sem acesso a água potável.

Milhares de venezuelanos deslocados dormem em abrigos sobrelotados ou ao ar livre, sem acesso a água potável, em condições sanitárias muito precárias, após os terramotos de 24 de junho, que, segundo as autoridades, provocaram pelo menos 2 295 mortos e deixaram mais de 11 000 feridos.

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O último balanço do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, a que a Euronews teve acesso, dá conta de 75 portugueses e lusodescendentes mortos e 66 desaparecidos após os sismos de quarta-feira na Venezuela.

De acordo com o MNE, entre os 75 mortos, 65 dos quais tinham também nacionalidade venezuelana, estão 12 crianças e 63 adultos.

Organizações humanitárias alertam que o pós‑terramoto evoluiu para uma grave crise médica que, se não for rapidamente controlada, poderá provocar mais mortes nos próximos dias e semanas. A emergência revelou a escassez crónica de médicos na Venezuela, resultado de anos de crise económica, subfinanciamento e emigração.

“O problema que antecipamos, já ali ao virar da esquina, são as infeções que os pacientes expostos à situação durante mais tempo podem desenvolver”, afirmou Eugenio Cova, diretor da unidade de trauma do Hospital del Oeste Dr José Gregorio Hernández, em Caracas, a capital. “Já passámos por um período de traumatismos complexos, que vão continuar a ocorrer, mas agora são complicados por infeções.”

As equipas de ajuda avisam também que os grandes danos em infraestruturas podem alimentar surtos de doenças nas comunidades mais afetadas.

“Está muito calor e há grande preocupação com possíveis doenças transmitidas por vetores”, disse Veronique Durroux, porta‑voz da agência humanitária da ONU para a América Latina e Caraíbas. “A gestão de resíduos é um problema. A gestão dos escombros, quando se vê a dimensão da devastação, é muito inquietante.”

Residente Kerli Faria faz uma pausa entre os escombros enquanto procura os sobrinhos num edifício que ruiu durante os terramotos que atingiram La Guaira, na Venezuela
Residente Kerli Faria faz uma pausa entre os escombros enquanto procura os sobrinhos num edifício que ruiu durante os terramotos que atingiram La Guaira, na Venezuela (AP Photo/Ariana Cubillos)

Venezuela: militares dos EUA destacam 900 elementos para operações de ajuda

Até quarta‑feira, 900 militares norte‑americanos encontravam‑se destacados no terreno para apoiar as operações de socorro e salvamento.

As forças armadas repararam uma pista danificada pelo terramoto no principal aeroporto internacional que serve Caracas, permitindo a chegada de ajuda humanitária, e posicionaram meios navais ao largo da costa para receber sobreviventes transportados por via aérea. Um porta‑voz militar confirmou que mais 100 elementos do Departamento de Estado norte‑americano foram mobilizados para apoiar estas operações.

Até agora, a administração Trump prometeu 300 milhões de dólares de ajuda à Venezuela, canalizada através de organizações humanitárias e das Nações Unidas. No entanto, este montante representa apenas uma fração do apoio necessário após os terramotos, com os danos materiais provocados pelos sismos estimados em mais de 6,7 mil milhões de dólares, segundo uma análise por satélite do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Mais 50 equipas internacionais chegaram nos últimos dias para apoiar as operações de busca e salvamento, incluindo elementos de países como o Equador e Israel, que não mantêm relações diplomáticas com a Venezuela. Apesar de as hipóteses de encontrar sobreviventes diminuírem, as equipas de resgate continuam a localizar um pequeno número de pessoas com vida, incluindo uma criança de tenra idade retirada com vida na terça‑feira, após seis dias presa sob os escombros.

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