Enquanto na Hungria, após a mudança de governo, já era possível realizar a marcha de Orgulho LGBTQ+ sem grandes receios, na Eslováquia o governo liderado por Robert Fico tem vindo a adotar cada vez mais um tom homofóbico e a restringir gradualmente os direitos dos cidadãos homossexuais.
A 16.ª Marcha do Orgulho LGBTQ+ (Pride) decorreu, no sábado, em Bratislava num ambiente bastante tenso. A mensagem central do evento deste ano foi de "coragem", uma vez que os organizadores pretendiam mostrar, precisamente através do exemplo húngaro, que, se a comunidade LGBTQ+ souber defender-se, poderá alcançar mudanças políticas significativas.
Martin Macko, o principal organizador, afirmou à Euronews: "Enquanto o mundo se torna cada vez mais tolerante, as leis eslovacas tornam-se cada vez mais excludentes. O parlamento aprovou recentemente uma emenda constitucional inspirada na legislação húngara. Nos termos desta, as pessoas do mesmo sexo não podem casar-se e nem sequer se reconhece a existência de pessoas transgénero."
Os participantes reuniram-se na Praça da Liberdade, em Bratislava, perto da sede do governo eslovaco. Após os programas culturais da manhã, a marcha partiu à tarde pelas ruas do centro da cidade, seguindo um percurso semelhante ao do ano passado, e regressou ao ponto de partida, onde concertos e discursos aguardavam os participantes até ao fim da tarde.
Uma das principais oradoras do evento foi Silvia Porubänová, diretora-executiva do Centro Nacional Eslovaco para os Direitos Humanos. No seu discurso, afirmou que a sociedade está cada vez mais dividida, pelo que são particularmente importantes a visibilidade e a defesa dos direitos.
"A palavra-chave do evento deste ano é: 'coragem'. Coragem para nos tornarmos visíveis, para sermos nós próprios e para defendermos os nossos direitos. A maioria de nós sente que vivemos tempos difíceis e que a nossa sociedade está cada vez mais polarizada."
O Pride de Bratislava contou também com a participação de políticos estrangeiros. Segundo a eurodeputada francesa Mélissa Camara, os ataques aos direitos das mulheres e das pessoas queer são frequentemente sinais precursores de uma ofensiva mais ampla contra as instituições democráticas.
Por razões de segurança, os organizadores não divulgaram antecipadamente o percurso exato, e o local foi fortemente vigiado pela polícia, pelo que a manifestação decorreu sem incidentes.
Paralelamente ao Pride, realizou-se novamente a marcha conservadora "Hrdí na rodinu" ("Orgulhosos da Família", traduzido para português), que promove o modelo tradicional de família. Os participantes desfilaram sob o lema "O casamento protege as crianças", levando consigo balões vermelhos com a inscrição "Mãe e pai para sempre".