Loader
Encontra-nos
Publicidade

República Democrática do Congo: surto de Ébola mata mais de 1 000 pessoas

Profissionais de saúde desinfetam ambulância no Centro de Tratamento de Ébola do Hospital Geral de Bunia, em Ituri, Congo, 22/07/2026 (AP Photo/Dirole Lotsima Dieudonne)
Profissionais de saúde desinfetam ambulância no Centro de Ébola do Hospital de Bunia, Ituri, Congo, 22 de julho de 2026. (AP Photo/Dirole Lotsima Dieudonne) Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Greta Ruffino
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

A Organização Mundial da Saúde afirmou que a verdadeira dimensão do surto poderá ser entre duas e quatro vezes superior aos números oficiais.

Mais de 1 000 pessoas morreram no surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), informou a principal entidade de saúde africana.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Ao intervir numa cimeira de saúde no Gana, na quarta-feira, Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças, afirmou que foram confirmadas 1 031 mortes.

“Estão pessoas a morrer. Estão a morrer porque não temos vacinas, não temos medicamentos, não temos financiamento”, acrescentou.

Segundo a atualização mais recente do Ministério da Saúde da RDC, tinham sido registados, até segunda-feira, 2 473 casos de Ébola, com pelo menos 737 doentes em isolamento ou a receber tratamento hospitalar.

O surto, declarado em 15 de maio, tornou-se o surto de Ébola de crescimento mais rápido de sempre.

Ao contrário da maioria dos surtos anteriores, este é provocado pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.

Na semana passada, o Grupo de Vacinas da Universidade de Oxford lançou o primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina contra o vírus Bundibugyo, responsável pelo surto de Ébola de crescimento mais rápido já registado.

O surto fez mais mortos, a um ritmo mais acelerado, do que qualquer outro surto de Ébola, incluindo a epidemia de 2013–2016, a mais letal de que há registo, que causou mais de 11 mil mortes em pelo menos 28 mil casos registados.

O ensaio clínico de Fase I vai decorrer em Oxford e avaliar a segurança e a resposta imunitária da vacina em 50 adultos saudáveis, com idades entre os 18 e os 55 anos.

O Ébola é uma doença rara, mas altamente contagiosa, que se transmite através do contacto com fluidos corporais infetados, incluindo sangue, vómito e sémen. Pode causar doença grave e é frequentemente mortal.

Responsáveis de saúde alertaram que cerca de 80% dos novos casos surgem fora das cadeias de transmissão conhecidas, o que indica que o surto se está a propagar mais depressa do que pode ser rastreado.

As autoridades estão a reforçar a resposta na província de Ituri, epicentro do surto, e noutras quatro províncias onde foram registados casos.

Especialistas alertam para agravamento da crise

Os especialistas alertam que a crise pode agravar-se.

No mês passado, investigadores dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recorreram a modelos informáticos para estimar a evolução do surto, avisando que, no pior cenário, poderá aproximar-se da escala da epidemia na África Ocidental em 2014–2016.

“Nunca houve um surto de Ébola que começasse com tantos casos, porque demorou muito a ser identificado”, afirmou Trish Newport, gestora de programas de emergência da organização Médicos Sem Fronteiras, que tem trabalhado no Congo.

“É como se o surto estivesse a avançar mais depressa do que a resposta”, acrescentou Newport.

Jean Nachega, epidemiologista na Universidade de Pittsburgh e conselheiro das autoridades de saúde africanas, disse não esperar que o surto atinja o pior cenário traçado pelo CDC, mas alertou que os desafios continuam a ser “enormes”.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Surto de norovírus afeta mais de 100 pessoas em Portugal

Sudão do Sul em risco elevado de surto de Ébola, alerta estudo da OMS

Verificação de factos: mapa viral sobre o hantavírus não exibe casos confirmados