Loader
Encontra-nos
Publicidade

Lituânia escava fossos para reforçar fronteiras com Rússia e Bielorrússia

Guardas fronteiriços lituanos na fronteira com a Bielorrússia. Imagem ilustrativa
Guardas fronteiriços lituanos na fronteira com a Bielorrússia. Foto ilustrativa Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Dimitri Kavalerov
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Vilnius oficial aprovou o plano do Ministério da Defesa da Lituânia para travar a mobilidade militar nas fronteiras com a Rússia e a Bielorrússia, tornando o país difícil de atravessar por um eventual inimigo

A Lituânia vai escavar fossos ao longo da fronteira com a região russa de Kaliningrado e com a Bielorrússia. A decisão foi aprovada pelo governo sob proposta do Ministério da Defesa. De acordo com o documento, os fossos terão em média 20 metros de largura, mas, em determinados troços, a pedido do comando militar, poderão atingir 150 metros de largura. Os trabalhos de criação das linhas defensivas, num investimento total de 50 milhões de euros, deverão ficar concluídos até 2028.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Em paralelo, o governo aprovou medidas para recuperar zonas pantanosas até 2030, sublinhando que isso tornará o território do país difícil de atravessar para viaturas militares pesadas de um potencial adversário.

Está também previsto rever a legislação que regula o desenho de pontes. Os engenheiros passarão a ser obrigados a prever, nas pontes novas e nas reabilitadas, espaços para a colocação de explosivos e a possibilidade de destruir a estrutura em caso de necessidade militar.

Lituânia investe em drones e minas num plano de mil milhões

Anteriormente, o ministro da Defesa da Lituânia, Robertas Kaunas, afirmou que os serviços de informação dispõem de dados segundo os quais na Rússia está a ser estudada a possibilidade de organizar provocações na região do Báltico, embora ainda não tenha sido tomada uma decisão final. Segundo o ministro, o Kremlin analisa cenários de ataques contra infraestruturas críticas da Lituânia ou dos países vizinhos.

Kaunas apontou a possibilidade de a Rússia recorrer a drones ucranianos para este tipo de operações, de forma a conduzir uma ação “sob bandeira alheia”, atribuindo-a a Kiev. No final de julho, os meios de comunicação noticiaram que, face às informações de inteligência e às ameaças, a Lituânia reforçou por tempo indeterminado a proteção de instalações estratégicas, entre as quais o terminal de gás natural liquefeito em Klaipėda, a linha de transporte de eletricidade LitPol Link com a Polónia na subestação de distribuição em Alytus, subestações de transformação no distrito de Alytus e a central hidroelétrica de acumulação por bombagem de Kruonis.

Além disso, a Lituânia tenciona gastar quase mil milhões de euros em minas antipessoais. No final do ano passado, o país retirou-se da Convenção de Otava que proíbe este tipo de armamento. Nessa altura, o Ministério da Defesa anunciou que irá iniciar em breve negociações para a compra ou produção de minas antipessoais, destinando para isso 812 milhões de euros até 2035.

Vilnius espera também reforços em pessoal militar: até 2027, o contingente da 45.ª brigada de carros de combate das Forças Armadas da Alemanha destacada para o país deverá aumentar para cinco mil soldados, com a missão de proteger o flanco oriental da NATO de ameaças provenientes da Rússia e da Bielorrússia.

Rússia acusa e ataca

Ao mesmo tempo, o Kremlin acusa Vilnius de promover sanções rigorosas e o isolamento de Moscovo, bem como de prestar apoio amplo à Ucrânia – até afirmando que a República cede a Kiev o seu espaço aéreo para o lançamento de drones contra alvos em profundidade no território russo.

Desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, a República báltica tem enfrentado um aumento sem precedentes de ataques híbridos e provocações violentas por parte da Rússia e da Bielorrússia, aliada do regime de Putin.

Entre as ações hostis contra a Lituânia contam‑se ciberataques e sabotagem digital levados a cabo por grupos de piratas informáticos ligados ao Kremlin (como o grupo Killnet – nota da redação); tentativas de testar vulnerabilidades na arquitetura de TI dos centros de dados lituanos, o que obrigou Vilnius a endurecer de urgência a legislação de proteção das infraestruturas críticas; intensificação, pela Rússia, dos sistemas de guerra eletrónica na região de Kaliningrado, provocando falhas generalizadas nos sistemas GPS da aviação civil e de navios comerciais. Em vários casos, devido à interferência dos sistemas russos de guerra eletrónica, drones de reconhecimento ucranianos desviaram‑se da rota e entraram no espaço aéreo da Lituânia.

Destaca‑se a operação conjunta de Moscovo e Minsk de manter artificialmente uma crise migratória, utilizando migrantes irregulares oriundos de países do Médio Oriente e de África para pressionar a fronteira lituana. Os guardas‑fronteira lituanos registaram regularmente tentativas de destruição de barreiras fronteiriças e de entradas forçadas de grupos de migrantes, com o apoio das forças de segurança bielorrussas.

Atualmente, o afluxo de migrantes irregulares ainda não cessou, mas graças às vedações construídas, aos sistemas de videovigilância e a uma política de expulsões firmes, a Lituânia e os países vizinhos conseguiram reduzir os picos de pressão.

Perante as ações hostis da Rússia, os Estados da região costumam atuar em conjunto ou de forma semelhante. A Polónia decidiu investir 2,3 mil milhões de euros na construção de estruturas defensivas, trincheiras e fossos ao longo da fronteira com a Rússia e a Bielorrússia. Os países bálticos anunciaram igualmente um plano para erguer mais de mil bunkers de betão e vários quilómetros de arame farpado na fronteira oriental, no âmbito de uma linha comum de defesa do Báltico.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Lituânia alerta: Rússia pode usar drones ucranianos falsos para atingir infraestruturas bálticas

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia: “A dissuasão tem de começar na fronteira”

Lituânia e Letónia alertam: Rússia planeia ataques a infraestruturas bálticas ou polacas