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“Estão a mentir”: Teresa Ribera ataca negacionistas do clima em entrevista à Euronews

Teresa Ribera
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De Marta Pacheco
Publicado a Últimas notícias
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Em entrevista à Euronews, Ribera atacou políticos europeus que considera “perigosos e estúpidos” por duvidarem da ciência climática e descartarem políticas ambientais como ideológicas, em vez de fundamentadas em dados.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, lançou um duro ataque aos negacionistas do clima, acusando políticos que rejeitam a ligação entre o aquecimento global e os devastadores incêndios florestais na Europa de “mentirem às pessoas” e de colocarem vidas em risco.

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“Temos muitos novos deputados no Parlamento Europeu, famílias políticas e responsáveis nacionais que se manifestam abertamente contra a ciência do clima e contra a ação climática. Isto é perigoso, estão a mentir às pessoas”, afirmou Ribera em entrevista exclusiva à Euronews.

Com incêndios florestais mortais a lavrar em Espanha, França e Grécia, Ribera alertou que o ceticismo climático está a minar a capacidade da Europa para se preparar para desastres cada vez mais destrutivos. A partir de Madrid, uma das zonas mais afetadas, comparou negar o papel das alterações climáticas nos incêndios a dar álcool a alcoólicos.

“O exemplo mais próximo seria alguém em funções públicas dizer que se pode beber o uísque que se quiser e depois conduzir, porque os acidentes rodoviários nada têm a ver com o álcool, apenas com o estado da estrada ou do carro”, explicou. “Isto é estúpido.”

Ribera rejeitou as afirmações de que os incêndios são apenas parte do ciclo sazonal europeu, defendendo antes que as alterações climáticas estão a gerar “novos tipos de incêndios florestais”, mais intensos e que ameaçam cada vez mais comunidades, infraestruturas, vida selvagem e vidas humanas.

“Isto é simplesmente perigoso”, disse à Euronews. Em toda a Europa, foram registadas mais de 10.000 mortes em excesso durante as ondas de calor extremas no final de junho.

A comissária espanhola, responsável pela transição limpa, justa e competitiva da UE, fez estas declarações num momento politicamente sensível em Bruxelas.

Nos últimos 12 meses, a atenção política da UE afastou-se da legislação climática, antes ambiciosa e marca distintiva do Pacto Ecológico Europeu do primeiro mandato de Ursula von der Leyen, e passou a centrar-se na competitividade, na política industrial e na redução da burocracia para as empresas.

Vários governos e grupos políticos têm apelado a Bruxelas para que alivie ainda mais as regras ambientais, alegando que é a única forma de a União Europeia se manter competitiva face aos Estados Unidos e à China.

Entre as medidas sugeridas está o abrandamento das regras sobre o metano na UE, que obrigariam os produtores de petróleo e gás a reduzir e a monitorizar as suas emissões, bem como da lei de restauração da natureza, considerada crucial para proteger florestas e turfeiras.

Ribera, porém, alertou contra qualquer retrocesso na agenda climática da União Europeia.

Na sua opinião, a Europa não pode responder a uma das piores épocas de incêndios florestais desmantelando precisamente as políticas criadas para reduzir os riscos climáticos. Embora a regulamentação possa ser simplificada, acrescentou, abandonar os alicerces do Pacto Ecológico Europeu seria um erro.

“Dar a resposta certa não passa por deitar fora tudo o que tem vindo a criar estas raízes verdes para continuar a construir prosperidade”, disse Ribera.

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