A Coreia do Norte tem-se declarado repetidamente um Estado nuclear “irreversível” desde que a cimeira de 2019 entre Kim Jong-un e Donald Trump ruiu devido ao impasse sobre a desnuclearização e o levantamento de sanções.
A Coreia do Norte lançou pelo menos um míssil balístico sobre o Mar do Japão esta quinta-feira, informou o exército sul-coreano, depois de Pyongyang ter criticado duramente Tóquio pelo reforço da sua postura militar no Pacífico.
“As nossas forças detetaram um míssil balístico de curto alcance lançado da zona de Wonsan, na Coreia do Norte, por volta das 17h00”, indicou o Estado-Maior Conjunto (JCS) da Coreia do Sul, em mensagem enviada aos órgãos de comunicação social.
O JCS tinha já indicado que o míssil foi lançado em direção ao Mar de Leste, referindo-se à massa de água também conhecida como Mar do Japão.
O ministério da Defesa japonês escreveu também na plataforma X que “algo que poderá ser um míssil balístico foi lançado a partir da Coreia do Norte”.
Numa publicação posterior, acrescentou que “já não há qualquer impacto nas zonas em torno do Japão”.
Seul reforçou a vigilância e mantém o estado de prontidão para eventuais lançamentos adicionais, partilhando informações com os seus aliados de segurança, os Estados Unidos e o Japão, acrescentou o JCS.
A Coreia do Norte tem-se declarado repetidamente um Estado nuclear “irreversível” desde que a cimeira de 2019 entre o líder Kim Jong-un e o então presidente dos EUA, Donald Trump, fracassou devido ao alcance da desnuclearização e ao levantamento de sanções.
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou no início da semana que as forças armadas do Japão precisam de ser reforçadas com um “sentido de urgência e de crise”, depois de uma nova avaliação do governo alertar para ameaças crescentes por parte da China, da Rússia e da Coreia do Norte.
Num comunicado divulgado pelos meios de comunicação estatais norte-coreanos, na quarta-feira, Kim Yo-jong, influente irmã do líder Kim Jong-un, afirmou que a “liderança de Pyongyang irá estabelecer opções militares adicionais, obviamente devido à transformação do Japão”.
Novo militarismo
A Coreia do Norte aprofundou recentemente os laços económicos e militares com a Rússia, fornecendo militares e munições para a guerra de Moscovo na Ucrânia em troca de apoio financeiro, alimentos, energia e tecnologia militar, segundo analistas.
O regime tem igualmente classificado repetidas vezes Seul, aliada de segurança de Washington, como o seu inimigo “mais hostil”.
O ministério da Defesa do Japão recusou comentar diretamente o discurso de Kim Yo-jong na quarta-feira, mas afirmou que as capacidades de defesa do país “se mantêm no mínimo indispensável” e “não têm como objetivo ameaçar outros países”.
“A nossa não é uma defesa destinada a travar guerras, mas a impedir novos conflitos, estritamente limitada à autodefesa e dentro do âmbito da nossa Constituição pacifista e das leis internacionais”, lê-se no comunicado.
Tóquio aumentou em 9,7% a despesa militar, para 62,2 mil milhões de dólares (53,8 mil milhões de euros), em 2025, o equivalente a 1,4% do PIB, a maior fatia desde 1958.
A China, aliada-chave da Coreia do Norte, manifestou também recentemente preocupação com aquilo que considera ser um “novo militarismo” por parte do Japão.
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, de linha moderada, inverteu a posição do seu antecessor, de linha dura, desde que assumiu o poder em Seul, em junho de 2025, oferecendo ao regime nuclear de Pyongyang conversações sem condições prévias.
O regime fechado da Coreia do Norte ainda não respondeu às sucessivas propostas.
As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-53 terminou com um armistício e não com um tratado de paz.