Cerca de 600 pessoas foram retiradas de casa na semana passada em Luglon e Garein. Cerca de metade dos residentes pôde voltar às habitações esta segunda-feira.
Depois de uma espera agoniante, os habitantes de Luglon e Garein, no departamento de Landes, sudoeste de França, receberam finalmente uma boa notícia. A luta travada há quatro dias contra o vasto incêndio florestal, que já consumiu cerca de 1 700 hectares, começa a dar resultados: o fogo está agora dominado, anunciou esta segunda-feira de manhã a autoridade departamental. “No entanto, fogo dominado não quer dizer fogo extinto. É preciso manter, obviamente, uma grande vigilância”, precisaram as autoridades.
Começaram os regressos a casa. Das 600 pessoas que tiveram de abandonar as suas habitações entre quinta-feira, 13, e sábado, 15 de agosto, cerca de 300 moradores já conseguiram voltar a casa.
Depois de cerca de cinquenta regressos organizados na noite de domingo em Garein, cerca de 250 habitantes de Luglon vão também poder voltar às suas casas. Um verdadeiro alívio para os habitantes das duas localidades.
“Eu estou contente por ter regressado. Vou já tomar um duchezinho, pelo menos. E pronto, sabe bem”, confessa Philippe Dandy, reformado. “Foi impressionante”, recorda ainda. “Vivo aqui há anos e já vi incêndios, mas como este, nunca. Uma força terrível. No sábado à noite foi o medo. Via-se, por detrás destas árvores, um clarão vermelho. Estava muito perto, mete muito medo.”
“Sim, cansada, muito. Feliz por voltar a ter a cama esta noite. E a casa”, acrescenta Françoise Bondi, também reformada. “Fiquei ali [na sala de festas da localidade] três dias, portanto três noites sem dormir, por isso estou muito cansada. Mas não queríamos ir para outro lado, queríamos ficar perto de casa.”
Mantém-se a necessidade de precaução
Embora o presidente da câmara de Garein continue prudente, não esconde o alívio por ver a situação a acalmar. “Sim, é um bom sinal, mesmo. É o primeiro dia em que estamos um pouco otimistas. Por isso é preciso aproveitar”, admite Philippe Sartre, esperando que “os próximos dias sejam no mesmo sentido”.
“Estamos mesmo felizes”, reforça Jennifer Quinteiro Moreira, vereadora municipal. “Isso quer dizer que tudo está a acalmar e que o fogo se está a apagar, pelo menos é o que esperamos.”
Enquanto o incêndio não for dado como totalmente extinto, os bombeiros prosseguem o trabalho de rescaldo: segurança das zonas de margem e dos pontos quentes, vigilância de possíveis reacendimentos e projeções de fogo. O perigo está ainda longe de ficar definitivamente afastado.
“Os riscos de reacendimento são muitas vezes mais violentos do que o próprio fogo, porque a vegetação está seca. A pirólise torna-se quase imediata em caso de nova fonte de calor”, explica o comandante Alexandre Bourmaud, responsável pela zona. “O objetivo é mesmo garantir que as margens ficam limpas. Isso passa ou por um trabalho de rega, que fazemos de forma convencional com o nosso material, as nossas lanças, ou por escavações realizadas com bulldozers. Temos hoje cinco bulldozers no terreno precisamente para criar uma zona tampão entre a área que ardeu e a área que não ardeu.”
Este fogo é o terceiro grande incêndio deste verão em França, depois do de Biscarrosse e do da Gironda, no final de julho. Segundo o sistema europeu de monitorização dos incêndios, quase 100 000 hectares de vegetação já arderam no território francês, tornando 2026 no ano mais destrutivo.