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Julgamento começa quase 30 anos após o homicídio de Tupac Shakur

Michael Sanft, advogado de Duane Davis, interroga uma testemunha no julgamento de Davis sobre o homicídio, em 1996, do rapper Tupac Shakur, em Las Vegas, 17 de agosto de 2026
Michael Sanft, advogado de Duane Davis, interroga uma testemunha no julgamento pelo homicídio, em 1996, do rapper Tupac Shakur, em Las Vegas, 17 de agosto de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Malek Fouda
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Duane Davis é acusado de planear o tiroteio mortal de 1996 em Las Vegas que matou a estrela emergente do hip-hop Tupac Shakur, tendo sido o primeiro arguido depois de ter sido indiciado em 2023.

Um procurador afirmou esta segunda-feira que, embora poucas pessoas tenham estado dispostas a falar sobre o homicídio, em 1996, da estrela de hip-hop Tupac Shakur, Duane “Keffe D” Davis é “a única pessoa a quem custa ficar calada”.

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“Sejamos claros, Duane Davis não puxou o gatilho. Mas planeou o tiroteio em retaliação pela agressão ao sobrinho”, disse aos jurados, no início do julgamento de Davis em Las Vegas, o procurador-adjunto principal Binu Palal. “Notavelmente, vão ficar a saber isso pelo próprio Duane Davis.”

Davis, de 63 anos, poderá ser condenado a prisão perpétua se for considerado culpado de homicídio com arma mortal, com intenção de promover, favorecer ou apoiar um grupo criminoso. Declarou-se inocente. Nas alegações iniciais da defesa, o seu advogado classificou a versão da acusação como “ficção”.

Duane Davis comparece em tribunal durante o julgamento por homicídio relacionado com a morte, em 1996, do rapper Tupac Shakur, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Duane Davis comparece em tribunal durante o julgamento por homicídio relacionado com a morte, em 1996, do rapper Tupac Shakur, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026 Steve Marcus/Pool Photo via AP

Palal mostrou aos jurados imagens em vídeo do séquito de Shakur a agredir o sobrinho de Davis, Orlando “Baby Lane” Anderson, à saída do combate de boxe no MGM Grand, em Las Vegas, apenas algumas horas antes do tiroteio de 7 de setembro de 1996.

Segundo Palal, Davis passou as duas horas seguintes a planear como se vingar, e Shakur acabou morto a tiro “num ato de vingança”. Shakur continua a ser um ícone cultural e é considerado um dos rappers mais influentes e versáteis de sempre, apesar de ter morrido aos 25 anos.

Numa entrevista em 2008 a uma equipa especial federal que investigava o assassinato do rival de Shakur, The Notorious B.I.G., Davis falou antes sobre o tiroteio contra Shakur. Descreveu como entregou uma arma aos homens que seguiam no banco de trás de um Cadillac branco, que dispararam sobre um BMW preto em que iam Shakur e Marion “Suge” Knight.

Duane Davis ouve o testemunho por videoconferência de Brent Becker, detetive reformado da brigada de homicídios da Polícia de Las Vegas, durante o seu julgamento por homicídio, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Duane Davis ouve o testemunho por videoconferência de Brent Becker, detetive reformado da brigada de homicídios da Polícia de Las Vegas, durante o seu julgamento por homicídio, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026 Steve Marcus/Pool Photo via AP

Enquanto os procuradores reproduziam o áudio em que Davis explica o momento em que Shakur foi baleado, familiares do músico, incluindo o meio-irmão Maurice “Mopreme” Shakur, mantinham o olhar fixo em frente e ouviam com atenção na sala. Palal disse aos jurados que Davis alimentou durante décadas um ódio visceral a Shakur que o levou a falar.

Acrescentou que o arguido falou com o FBI em 1998 e novamente em 1999, admitindo que se encontrava em Las Vegas na altura do tiroteio. O procurador disse ainda que, em 2009, Davis reconheceu o seu papel no homicídio numa entrevista à polícia de Las Vegas.

“E agora, 30 anos depois, vamos pedir-vos que responsabilizem finalmente Duane Davis”, afirmou Palal.

Mostrou também aos jurados o livro de memórias de 2019 que Davis coescreveu, “Compton Street Legend”, que a acusação pretende usar e que a defesa tentou excluir do julgamento, tal como várias entrevistas do arguido.

Uma ilustração é exibida durante o julgamento por homicídio de Duane Davis, relacionado com a morte, em 1996, do rapper Tupac Shakur, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Uma ilustração é exibida durante o julgamento por homicídio de Duane Davis, relacionado com a morte, em 1996, do rapper Tupac Shakur, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026 Steve Marcus/Pool Photo via AP

“O que vos estão a dizer, estão a apresentar como facto, quando na realidade é ficção”, disse o advogado de Davis, Michael Sanft. “Não há factos”, acrescentou, sublinhando que Davis não foi anteriormente acusado porque as autoridades sabiam que ele era "cheio de conversa fiada".

O advogado de defesa apontou ainda documentos em falta na investigação original e a falta de confiança entre departamentos policiais. Classificou o trabalho de um dos detetives como “tendencioso”, “descuidado” e “incompleto”.

A história do tiroteio a partir de um carro em movimento há muito que prende a atenção da comunidade hip-hop, em parte porque ninguém foi acusado até Davis ser formalmente indiciado em 2023. Os outros três homens que seguiam no Cadillac morreram entretanto.

O antigo agente da polícia de Las Vegas Garry Dale foi a primeira das 35 a 45 testemunhas que a acusação tenciona chamar num julgamento que deverá durar cerca de um mês. Contou que ele e outro agente mandaram parar o carro de Knight e Shakur por circular sem matrícula, avisaram-nos e deixaram-nos seguir.

A juíza Carli Kierny fala com o advogado de Duane Davis, Michael Sanft, e com os procuradores-adjuntos principais Marc DiGiacomo e Binu Palal, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026
A juíza Carli Kierny fala com o advogado de Duane Davis, Michael Sanft, e com os procuradores-adjuntos principais Marc DiGiacomo e Binu Palal, em Las Vegas, segunda-feira, 17 de agosto de 2026 Steve Marcus/Pool Photo via AP

Cerca de dez minutos depois, os agentes responderam a um alerta de tiroteio e encontraram paramédicos a retirar Shakur do carro. Dale disse que Knight tinha sido atingido de raspão, mas lhes pediu que tratassem de Shakur.

Dale entrou na ambulância e perguntou a Shakur quem lhe tinha disparado. O antigo agente disse que Shakur respondeu algo como: “Não, tratamos nós disso.”

Brent Becker, ex-detetive de homicídios em Las Vegas, testemunhou que Knight apareceu a uma entrevista com a polícia acompanhado de advogados, o que lhe pareceu estranho porque Knight era uma vítima. Segundo Becker, Knight mostrou-se tímido, a entrevista parecia ensaiada e disse aos investigadores que não sabia de nada. “Achei que nos mentiu”, afirmou Becker em depoimento por vídeo.

Acrescentou que era difícil convencer outras testemunhas a falar e que, na altura, “concentravam as suspeitas” em Davis, Anderson, Deandrae “Freaky” Smith e Terry “Bubble Up” Brown como sendo os homens que seguiam no Cadillac, mas não tinham testemunhas vivas que os pudessem identificar.

Outras fontes • AP

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