O líder da extrema-direita, aliado próximo de Donald Trump, pareceu repetir a retórica da sua administração. “Colombianos primeiro, colombianos em segundo lugar, colombianos em terceiro, que fique claro para todos”, afirmou de la Espriella.
O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou uma ofensiva contra milhares de migrantes que se encontram no país sem autorização de residência.
O presidente de extrema-direita afirmou que vai introduzir alterações significativas na política de imigração do país, que, disse, irão reduzir a criminalidade e enfrentar grupos criminosos.
“Não aceitarei quaisquer imigrantes ilegais, venham de onde vierem”, afirmou De la Espriella num vídeo divulgado no X, enquanto presidia a uma reunião de segurança em Barranquilla.
“A ordem aos serviços de imigração é clara: primeiro, os que estão a cometer crimes; segundo, os que não regularizaram a sua situação e que terão de ser deportados em devido tempo”, acrescentou.
Durante a reunião de domingo, o novo presidente pareceu recuperar a retórica “America first” do presidente norte-americano Donald Trump, a que está estreitamente ligado.
“Colombianos primeiro, colombianos em segundo, colombianos em terceiro, que isso fique claro para todos”, disse De la Espriella.
O presidente colombiano afirmou que os procedimentos de deportação vão começar esta semana por ordem presidencial.
A ofensiva afetará sobretudo venezuelanos que, na última década, fugiram ao regime repressivo e à crise económica no país. No total, cerca de um quinto da população da Venezuela deixou o país neste período.
A Colômbia acolhe uma importante diáspora venezuelana. Segundo as Nações Unidas, em agosto viviam no país cerca de 2,8 milhões de venezuelanos, dos quais mais de 527 mil estão em situação irregular.
A decisão de De la Espriella representa uma mudança significativa face à abordagem anterior da Colômbia à migração. O país procurou durante anos acolher e proteger os migrantes venezuelanos, oferecendo-lhes um caminho para a residência permanente.
Em julho, o serviço nacional de migração da Colômbia indicou ter concedido autorizações de residência temporária a cerca de 2,3 milhões de venezuelanos em situação irregular no país.
A medida visava ajudar migrantes e refugiados a obter estatuto legal, facilitando ao mesmo tempo o acesso aos cuidados de saúde e ao emprego formal. Fazia parte de um programa introduzido em 2021 pelo então presidente Iván Duque, no auge da crise migratória da Venezuela.
“Percebemos que o presidente queira proteger os colombianos”, afirmou Ana Karina García, diretora da Juntos Se Puede, uma organização que apoia migrantes venezuelanos na Colômbia. “Mas não é preciso protegê-los dos migrantes. Está provado que os estrangeiros não cometem crimes em proporções mais elevadas.”