Mais de 134 mil eleitores estavam registados em Portugal para votar neste domingo na primeira volta das presidenciais brasileiras. Se nenhum candidato ultrapassar 50% dos votos, haverá 2ª volta em 25 de outubro.
Um total de 134.797 brasileiros inscritos em Portugal foram chamados a votar este domingo na primeira volta das eleições presidenciais do seu país, um número recorde que supera em 66,63% o de 2022. Em Portugal, as urnas fecharam às 17h00.
Os eleitores brasileiros inscritos podiam votar em três pontos do país — Porto, Lisboa e Faro — entre as 8h00 (4h00 no horário de Brasília) e as 17h00 (13h00 no horário de Brasília).
Portugal é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no exterior, atrás dos EUA, que têm 265 437 eleitores brasileiros inscritos. O voto era digital, mas sempre efetuado numa assembleia de voto e era obrigatório para todos os cidadãos entre 18 e 70 anos, mesmo residentes no estrangeiro. Quem não fosse votar teria de justificar a ausência no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Autoridades brasileiras satisfeitas com a forma como a votação decorreu em Portugal
Em Portugal, as urnas fecharam às 17h00. Em Lisboa, o embaixador do Brasil mostrou-se satisfeito com a realização das eleições brasileiras na capital portuguesa, que alargou os locais de votação na Cidade Universitária.
“Avalio com a melhor nota que se pode dar”, afirmou o diplomata aos jornalistas, num balanço intermédio da votação.
“Todo o trabalho que é feito com planeamento e antecedência é para dar certo”, as “sessões eleitorais aumentaram, foram diversificadas e as pessoas têm mais conforto para exercer o seu direito de voto”, referiu o embaixador brasileiro, que confia numa diminuição da abstenção.
“Imagino que o comparecimento será superior a 50%”, os valores verificados há quatro anos.
“O que nós fizemos foi ampliar os espaços para que as pessoas não sofram nas filas”, passando os pontos de votação da Faculdade de Direito também para a Reitoria e para a Faculdade de Letras.
Já o cônsul do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, recordou que houve um aumento de 74% do número de eleitores inscritos na capital, 79 mil, pelo que foi necessário mais locais de voto.
Um frente a frente ideológico
No Brasil, perto de 159 milhões de eleitores inscritos votam numa das eleições presidenciais de alto risco que expõem o quão polarizada está a sociedade brasileira.
Ao todo, são 12 candidatos, mas o verdadeiro frente a frente está entre dois concorrentes de lados completamente opostos, assim o dizem todas as sondagens. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, um veterano de esquerda que, aos 81 anos, procura o seu quarto e último mandato, e o senador Flávio Bolsonaro, 45 anos, representando o partido Liberal, de extrema-direita, que procura renovar o legado do seu pai, Jair Bolsonaro, ex-presidente aliado de Donald Trump, e que cumpre pena de prisão de 27 anos por tentativa de golpe de Estado e que, muito provavelmente, será indultado se o seu filho for eleito presidente.
Bolsonaro reforça a aliança com Trump
Enquanto Flávio Bolsonaro tem reforçado a sua aliança ideológica com Trump, Lula tem criticado Washington. Tem falado frequentemente sobre os riscos de uma intervenção dos EUA nas eleições brasileiras, depois de a administração Trump ter imposto tarifas elevadas às exportações brasileiras, revogado o visto do embaixador do país em Washington e sancionado um juiz do Supremo Tribunal Federal que presidiu ao inquérito que acabou por resultar na condenação de Jair Bolsonaro, o antecessor de Lula.
Flávio Bolsonaro tem vindo a destacar a sua proximidade com a Casa Branca e a insistir que o Brasil precisa de celebrar melhores acordos com a administração Trump, nomeadamente no que diz respeito à economia dos minerais raros. O Brasil estima que as suas reservas atinjam 21 milhões de toneladas, ficando apenas atrás da China.
Bolsonaro também tem feito campanha a favor da libertação do seu pai da pena de prisão de 27 anos a que foi condenado por tentativa de golpe de Estado e do seu regresso à política.
Bolsonaro, entretanto, nega estar a ser ajudado pelo governo dos EUA, que tem visto uma boa parte dos países da América Latina virar à direita após os seus recentes atos eleitorais, uma aproximação que muito agrada à Administração Trump.
Os brasileiros elegem também este domingo 27 governadores estaduais, membros das assembleias legislativas estaduais, todos os 513 deputados federais e 54 dos 81 senadores do país. Contudo, o eleitor na diáspora só pode votar no Presidente e no Vice-presidente.
As últimas sondagens, conhecidas no sábado, apontavam para uma disputa muito renhida: Lula e Bolsonaro apresentavam um empate técnico, segundo a pesquisa do Datafolha, que dava 45% das intenções de voto a Lula da Silva e 42% a Flávio Bolsonaro. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, os dois candidatos mais votados irão para a segunda volta em 25 de outubro.
Espera-se que os outros dez candidatos obtenham um número muito menor de votos nesta primeira volta.