Mais de 134 mil eleitores estão registados em Portugal para votar neste domingo na primeira volta das presidenciais brasileiras. Se nenhum candidato ultrapassar 50% dos votos, haverá 2ª volta em 25 de outubro.
Ainda é de madrugada no Brasil, mas já se pode votar em Portugal. Os 134 797 eleitores brasileiros inscritos podem votar em três pontos do país — Porto, Lisboa e Faro — entre as 8h00 (4h00 no horário de Brasília) e as 17h00 (13h00 no horário de Brasília).
Portugal é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no exterior, atrás dos EUA, que têm 265 437 eleitores brasileiros inscritos. O voto é digital, mas é sempre efetuado numa assembleia de voto e é obrigatório para todos os cidadãos entre 18 e 70 anos, mesmo que residam no estrangeiro. Quem não puder votar tem de justificar a ausência no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Um frente a frente ideológico
Dentro de poucas horas, no Brasil, perto de 159 milhões de eleitores inscritos vão poder votar numa das eleições presidenciais de alto risco que expõem o quão polarizada está a sociedade brasileira.
Ao todo, são 12 candidatos, mas o verdadeiro frente a frente está entre dois concorrentes de lados completamente opostos, assim o dizem todas as sondagens. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, um veterano de esquerda que, aos 80 anos, procura o seu quarto e último mandato, e o senador Flávio Bolsonaro, 45 anos, representando o partido Liberal, de extrema-direita, que procura renovar o legado do seu pai, Jair Bolsonaro, ex-presidente aliado de Donald Trump, e que cumpre pena de prisão de 27 anos por tentativa de golpe de Estado e que, muito provavelmente, será indultado se o seu filho for presidente.
Bolsonaro reforça a aliança com Trump
Enquanto Flávio Bolsonaro tem reforçado a sua aliança ideológica com Trump, Lula tem criticado Washington. Tem falado frequentemente sobre os riscos de uma intervenção dos EUA nas eleições brasileiras, depois da administração Trump ter imposto tarifas elevadas às exportações brasileiras, revogado o visto do embaixador do país em Washington e sancionado um juiz do Supremo Tribunal Federal que presidiu ao inquérito que acabou por resultar na condenação de Jair Bolsonaro, o antecessor de Lula.
Flávio Bolsonaro tem vindo a destacar a sua proximidade com a Casa Branca e a insistir que o Brasil precisa de celebrar melhores acordos com a administração Trump, nomeadamente no que diz respeito à economia dos minerais raros. O Brasil estima que as suas reservas atinjam os 21 milhões de toneladas, ficando apenas atrás da China. Bolsonaro também tem feito campanha a favor da libertação do seu pai da pena de prisão de 27 anos a que foi condenado por tentativa de golpe de Estado e do seu regresso à política.
Bolsonaro, entretanto, nega estar a ser ajudado pelo governo dos EUA, que tem visto uma boa parte dos países da América Latina virar à direita após os seus recentes atos eleitorais, uma aproximação que muito agrada à Administração Trump.
Os brasileiros também irão eleger 27 governadores estaduais, membros das assembleias legislativas estaduais, todos os 513 deputados federais e 54 dos 81 senadores do país na votação de domingo. Contudo, o eleitor na diáspora só pode votar no Presidente e no Vice-presidente.
As últimas sondagens conhecidas no sábado (3.10) apontam para uma disputa muito renhida: Lula e Bolsonaro apresentam um empate técnico, segundo a pesquisa do Datafolha, que dá 45% de intenção de voto a Lula da Silva e 42% a Flávio Bolsonaro. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, os dois candidatos mais votados irão para a segunda volta em 25 de outubro.
Espera-se que os outros dez candidatos obtenham um número muito menor de votos nesta primeira volta de hoje.