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Lula e Flávio Bolsonaro encerram campanhas na véspera de umas eleições renhidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se candidata à reeleição, acena com as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo durante um comício de campanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se candidata à reeleição, acena com as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo durante um comício de campanha -  Direitos de autor  AP Photo/Andre Penner
Direitos de autor AP Photo/Andre Penner
De Manuel Ribeiro
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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e Flávio Bolsonaro terão neste sábado a última oportunidade de convencer os eleitores em comícios no estado decisivo de São Paulo antes de uma eleição acirrada, marcada por escândalos e ataques pessoais.

Milhões de brasileiros irão votar no domingo numa eleição dominada por dois rivais: o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-líder Jair Bolsonaro, a quem Lula derrotou há quatro anos.

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Os dois representam lados opostos do espectro político, com visões contraditórias sobre questões que vão desde a forma de combater o crime organizado até à relação que o maior país da América Latina deve manter com a administração Trump.

O veterano de esquerda, Lula da Silva, de 80 anos, concorre a um quarto e último mandato, alertando os eleitores de que a soberania do Brasil está em jogo face à pressão do presidente dos EUA, Donald Trump. O presidente brasileiro tem alertado repetidamente os EUA a não se intrometerem nas eleições brasileiras.

No ano passado, Washington impôs tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, invocando — entre outras razões — o julgamento de Jair Bolsonaro, um aliado de Trump.

No início deste ano, os EUA impuseram uma nova ronda de tarifas, alegando práticas comerciais desleais, apesar de registarem um excedente comercial, e classificaram os maiores grupos de tráfico de droga do Brasil como organizações terroristas estrangeiras, pouco depois de uma visita do senador Bolsonaro à Casa Branca.

Lula opôs-se a ambas as medidas.

O candidato de esquerda tem feito da defesa da soberania brasileira um dos principais temas da sua campanha. Nos dias que antecederam as eleições, a sua equipa lançou uma versão em português da canção de Bad Bunny, “Lo que le pasó a Hawaii”, que invoca a colonização do Havaí pelos EUA como um exemplo a evitar.

Flávio Bolsonaro aposta na segurança e na austeridade fiscal

O candidato presidencial da oposição, o senador Flavio Bolsonaro, ao centro, faz um sinal de «polegar para cima» aos apoiantes durante um comício de campanha
O candidato presidencial da oposição, o senador Flavio Bolsonaro, ao centro, faz um sinal de «polegar para cima» aos apoiantes durante um comício de campanha AP Photo/Silvia Izquierdo

Lula da Silva está envolvido numa disputa renhida contra o senador de direita Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado próximo de Trump que cumpre uma pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado após a sua candidatura fracassada à reeleição em 2022.

Depois de percorrerem o Brasil de um lado para o outro nas últimas semanas, os candidatos preparam os últimos cartuchos para os comícios finais a realizarem-se em São Paulo (Lula da Silva) e no Rio de Janeiro (Flávio Bolsonaro).

Lula realizará o seu último comício na megacidade de São Paulo, com slogans inscritos nas camisolas e nas tarjas que leem “Lula presidente de novo” ou “O Brasil pertence aos brasileiros”.

Flávio Bolsonaro, por seu lado, participou num comício de motoqueiros a cerca de 400 km de distância, no estado de São Paulo, e encerra este dia com um último no Rio de Janeiro. Os seus comícios têm contado com enormes bandeiras dos EUA e balões insufláveis gigantes de Trump, que não apoia o senador, mas afirma estar a acompanhar as eleições brasileiras “muito de perto”.

O filho de Jair Bolsonaro tem feito campanha com uma plataforma de políticas de segurança de linha dura e austeridade fiscal, criticando Lula como “incompetente” e destacando o elevado custo de vida.

Se vencer as eleições, Flávio Bolsonaro colocará o Brasil no grupo de países da América Latina — Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e Peru — que viraram à direita nas últimas eleições e elegeram governos favoráveis a Trump.

Campanha renhida com escândalos e insultos pelo meio

Tem sido uma campanha acirrada numa nação profundamente dividida. Num Brasil muito polarizado, as políticas e as promessas dos candidatos têm sido ofuscadas por uma enxurrada de escândalos e ataques pessoais, à medida que disputam a atenção de cada eleitor indeciso.

Durante a campanha, veio a público que Flávio Bolsonaro estava a ser investigado por corrupção relacionada com o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, sobre o seu pai, financiado pelo banqueiro detido Daniel Vorcaro.

Vorcaro está a ser investigado num dos maiores escândalos financeiros do país, que envolveu muitas figuras no poder. O escândalo também levou a uma disputa pública no Supremo Tribunal Federal, na qual alguns juízes foram associados a Vorcaro.

Uma campanha online massiva por parte de ambos os lados levou os rivais a aproveitar cada gafe, acusação e rumor, transformando-os rapidamente em vídeos bem elaborados ou em imagens geradas por IA, compartilhados nas redes sociais.

Para esta eleição de 4 de outubro, estão inscritos doze candidatos na corrida presidencial, mas considera-se que apenas Lula e Bolsonaro têm hipóteses reais de se tornarem o próximo chefe de Estado do Brasil. Os quase 160 milhões de eleitores recenseados no Brasil também vão eleger deputados, governadores e alguns senadores, além do Presidente da República.

De acordo com as sondagens, nenhum dos candidatos vencerá à primeira volta das eleições deste domingo. Ambos estão empatados e a segunda volta, a realizar-se a 25 de outubro, é mais do que provável.

Outras fontes • AP, AFP

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