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Última hora. Islândia diz "Não" a novas negociações de adesão à UE num referendo renhido

Eleitores das zonas rurais votaram esmagadoramente contra a retoma das negociações com a UE.
Eleitores das zonas rurais votaram massivamente contra a retoma das negociações com a UE. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Simon Ormiston & Euronews
Publicado a Últimas notícias
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A Islândia rejeita retomar as negociações de adesão à União Europeia após um referendo em que a tendência do voto oscilou ao longo da noite.

O lado do “Não” na Islândia venceu, por margem estreita, o referendo sobre a retoma das negociações de adesão à União Europeia, atualmente suspensas, segundo a estação pública islandesa RÚV.

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Os resultados finais foram confirmados: 105 399 (47,2 %) votaram "Sim", enquanto 118 040 (52,8 %) votaram "Não". Foram registados um total de 225 031 votos, o que correspondeu a uma taxa de participação de 82,5 %.

Os votos, pela ordem dos anúncios, ficaram distribuídos da seguinte forma:

Reykjavík Sul: Sim 54,5% - Não 45,5%

Círculo eleitoral do Sul: Sim 39,5% - Não 60,5%

Círculo eleitoral do Noroeste: Sim 37,1% - Não 62,9%

Círculo eleitoral do Nordeste: Sim: 38,8% Não: 61,2%

Círculo eleitoral do Sudoeste: Sim: 47,0% Não: 53,0%

A vitória do “Não” deverá retirar o debate sobre a adesão à UE da agenda política islandesa por pelo menos mais dois anos.

O país, com cerca de 400 mil habitantes, começou a procurar a adesão à UE depois da crise financeira de 2009 ter levado a economia à beira do colapso, mas as conversações ficaram bloqueadas em 2013, quando chegou ao poder uma coligação eurocética.

Liderado pela primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, o atual governo social-democrata recuperou o dossiê este ano, argumentando que um contexto internacional mais volátil justificava retomar a pergunta aos eleitores sobre se querem aprofundar os laços com a UE.

Ainda assim, a relação da Islândia com Bruxelas não muda de forma fundamental, seja qual for o desfecho: o país já participa no Espaço Económico Europeu e na zona Schengen sem controlos de passaportes, acordos que permanecem inalterados.

O referendo não tem efeitos jurídicos, mas o governo comprometeu-se a respeitar a decisão dos islandeses.

Kristrún Frostadóttir, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Þorgerður Katrín Gunnarsdóttir, e a ministra da Educação e das Crianças, Inga Sæland, convocaram uma conferência de imprensa para as 15h00 CET, na qual os líderes partidários irão analisar o resultado e responder às perguntas dos jornalistas.

Islândia: como se desenrolou a noite eleitoral

As urnas fecharam às 22h00 locais (00h00 CET), e os primeiros resultados parciais, que refletiam sobretudo a capital, Reykjavik, colocaram o “Sim” confortavelmente na frente, com quase 58%. Os defensores da adesão à UE mostraram um otimismo cauteloso nas primeiras horas, apontando para uma forte participação nas zonas urbanas.

Mas, à medida que os círculos rurais e costeiros começaram a divulgar resultados depois da meia-noite, o quadro mudou de forma acentuada. Comunidades piscatórias, onde a oposição às regras europeias de partilha de quotas de pesca é profunda há mais de uma década, deram maiorias do “Não” acima de 65% em vários círculos. Às 2h00 CET, a contagem nacional ficava quase dividida ao meio.

O ponto de viragem surgiu por volta das 7h00 CET, quando a região agrícola do norte, tradicional barómetro eleitoral, anunciou uma divisão de 60/40 a favor do “Não”, empurrando pela primeira vez a contagem nacional para o campo do “Não”. A partir daí, a vantagem nunca chegou a inverter-se totalmente.

No final da manhã deste domingo, todos os olhares estavam voltados para um único círculo eleitoral ainda por decidir: o Sudoeste, o segundo maior dos seis da Islândia, que abrange as cidades-satélite que rodeiam a capital, com cerca de 79 000 eleitores registados.

Era a última parte da contagem ainda por divulgar e o campo de batalha mais renhido da noite.

O círculo eleitoral tinha começado com um empate perfeito, antes do "Não" passar à frente à medida que a contagem avançava. Às 11h30 CET, o Sudoeste publicou o seu resultado final, encerrando a contagem nacional a favor do "Não".

*Os nossos jornalistas continuam a acompanhar esta história e atualizarão a informação assim que houver novos dados.

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